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Tem um nó dentro de mim, uma coceira irritante, completamente inconsciente de fazer algum sentido. Tenho pensado muito sobre isso, essa coisa boba e tola a qual me pergunto frequentemente, se vale a pena viver e sofrer... Queria só ter coragem de olhar a cada um nos olhos e dizer: eu te odeio! E você, você eu também odeio! Não suporto mais esse “afetamento” sem anfetaminas! Não suporto mais esse fantasioso mundo colorido de bem estar bem, de estar porque é assim que todos são.
Ontem mesmo passei ali na rua atrás da casa da padaria e vi um cachorro morto. Ninguém simplesmente havia tirado ele do lugar em que morrera, e olha que todos passam naquela calçada! Sabem o que eu observei? Que as pessoas simplesmente decidem por espontaneidade se desviar, isso mesmo, desviar sua trajetória do que simplesmente ligar para um bombeiro, ou pessoa responsável dos cachorros mortos nessa cidade! Acham bonito estarem bem vestidas, comprarem sapatos novos, afinal quem irá pisar em uma imundície de um cachorro morto? Aquele sangue não precisa ficar embaixo dos meus lindos sapatos, eu simplesmente decido desviar os pés (e os olhos, e o nariz) e pronto!
A vida continua, eu aqui nessa bela passarela onde pulgas se desesperam para sorver o resto do sangue do pobre bichinho, as crianças brincam com seus pais de faz de conta que vivem ocupados e todos não percebem que eu percebo tudo isso. Até que nesse ponto eu me salvei. Eu mesmo percebo que sou capaz de perceber, o que me dá certa vantagem em relação aos outros.
Mesmo assim, me pergunto se vale à pena viver, olhei aquele cachorro tão deprimido alguns dias atrás e me apeguei ao animalzinho, só não o levava para casa, pois não tenho casa. Mas que dó! Dividia cada migalha com ele, pois assim como eu ele era dono de calçada. Então conseguimos capturar um pouco de comida nos latões da padaria em frente; e foi assim que o conheci. Mas ele estava muito deprimido, foi só eu começar a conversar com ele que todo o mundo colorido que os cachorros possuem voltou a brilhar no olho de meu amigo. Foi um dia agradável, apesar de não fazer diferença para o cãozinho continuar meio cabisbaixo. Até então eu falava do meu passado tentando agradá-lo com minhas desastrosas experiências, que para mim soavam muito engraçadas. Mas foi só eu terminar de comer meu pedaço de pão bolorento e observar ele melhor, que aqueles olhos pidões começaram a me contar a vida triste daquele ser tão inocente e puro...
Todos os dias ele apanhava de um menino adolescente, que um dia fora uma criança adorável... O resto já se é possível imaginar: o pai que bate na mãe porque está bêbado, o filho que cresce reprimido com o mundo e se liberta fazendo maldades para outros seres. Daí ainda tem gente me dizendo que a vida é bela?! Realmente um absurdo. Senti então uma vontade de libertá-lo daquele sofrimento... Viver é mesmo necessário pra mais um dono de calçada, onde as pessoas simplesmente te rejeitam pelo simples desviar? Passamos vários dias assim nos conhecendo, e eu, a cada dia que passava, tinha certeza de poder ajudar meu amigo, porém com medo das conseqüências e do que eu mesmo sentiria após ajudá-lo. Era torturante perceber que cada vez que ele voltava de suas saídas noturnas, no outro dia estava completamente ferido, mas um ferido mais moralmente do que propriamente fisicamente. 
Então eu o ajudei e acabou. Ninguém percebeu.

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