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Ele caminhava rápido. Procurava não parar em nenhuma rua. Se arrastava de tanto pesar e pesava tudo que pensava. Com passos apressados, tombava em pessoas, desviava alguns olhares e corria muitas vezes para não ser mais visto. Precisava chegar rápido e em alguns momentos ele precisava não lembrar do horário. Havia uma decisão em seu rosto e ele não tinha pedido opinião. Ele iria fazer o que estava querendo, e quem não soubesse acompanhá-lo seria deixado para trás. Ao dobrar para a esquerda descobriu que foi pelo lado errado e então continuou indo até chegar em lugar algum, pois ali não era, nunca foi o seu objetivo. O plano estava mudado, apenas uma decisão: esquerda ou direita? Dois caminhos e tudo muda. Continuou com suas pernas, suas únicas formas de mudar os ambientes, de mudar seu cenário. Sua mente tinha uma foto gravada. Com cores fortes. Apagou. Sentiu seus dedos subirem entre seus cabelos, sem nenhuma vontade de desfazer o trajeto.Iria subir aquela ladeira e iria ver no que dava. Correu. Corria do que tinha deixado lá em baixo. Subia mais alto e podia ver o horizonte: nuvens cinzas, muros altos. Chegou. Uma pequena passarela, esverdeada de musgos, levava para o outro lado. Uma emoção se tornou nítida naquele momento, ele seria mais feliz. Seu objetivo deixou para trás.Seus gastos com o passado se perdeu. Sua perna tremia. Olhou um instante para baixo, pensando em olhar para trás, mas viu seu reflexo no chão, uma poça de água. Se viu transparente, todos podiam ver seus sentidos, se eu o tivesse tocado naquele momento, teria sentido seus tremores e suas pulsações. Teria virado gelo. Sentiria um desespero por alegria, uma ânsia de fuga por dias de glória. Eu mesma teria deixado meus dias de observação, mas nada fiz. Fiquei parada, observando ele correr sorrindo. Observei ele pisar na passarela e belamente se atirar para o outro lado e se tornar alguém novo. Um desconhecido, completamente diferente daquele homem cheio de pesares. Ele estava livre para se tornar mais um qualquer. Eu o perdi de vista. Comecei então minha história, eu escolhi pegar a direita. Seguindo em frente e com as ideias vazias eu me precipitei ao monte de cinzas que estava voltando ao cenário. Não corri, apenas abri as asas e saltei: flutuar entre as paredes e respirar o cheiro da cidade lotada.

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Se fora

Me sinto mal, por todos os momentos dos quais te evito, aqui e acolá. Eu não te leio mais. Eu nem mesmo sei quando deveria estar fazendo algo… menos do meu trabalho. Tem sido demais. Muitos amigos foram jantar fora. Eu permaneci. Calada, fronte a tua porta, querendo te ver. Querendo te ter. E tu comeu mundos. Mandou. Mudou. E fui. E nem mais sei o que resta desse espaço virtualístico. Uma esperança?

Atrasado

Ele estava tomado por aquele olhar de rato molhado, na chuva, no escuro. Ele estava corrompido pelas mentiras, pelos brilhos de suas linhas refinadas. Ele era uma pessoa esquisita corrompida pelo olhar terceiro. De um canto, sua voz rouca sumia no ar. Ele, nervoso, ficava suspenso nesse ar. Escondia seu rosto. E foi assim que descobri sua fraqueza. Ele era a falha primeira. E de falhas se sustentava, para perfeição seguir seu cortejo, ele se mutilava. E quando as calças compridas caiam de sua estatura, ele as vestia. E o sentido ficava atordoado, era ele e seus dentes brancos, sua voz rouca, alto e minúsculo, mas alto, ele corria e vestia outras roupas, mas nada nada servia. Ele, usando o buné de terceiros, roubado pelo lado esquerdo pela mão de um agressor, deixado no chão de um acidente envolvendo uma arma. O caos das palavras, estava a me perder, e penso, hoje. Na minha cabeça, não há nada que me leve a voltar um único segundo.

O vencedor Mor

Eu te odeio, - sua dramática. Pois te amo, - seu falsiano. E te odeio, - mentiroso. Te amando, - vai ficando. Quando dá mudança, - eu viro caos. Eu pasmo, - nem me surpreendo. Reviro olhos, - adoro tuas expressões. E te soco a cara, - seu panaca! Na mente, - me dá um beijo. Tu mente, - é necessário. Que é até logo, - ou nunca mais. E nunca mais, - não saberemos amanhã. Vira uma esquina, - e o petróleo queima. E ao vencedor, - o melhor troféu. De rimas, - toca mais uma canção. No meio do teu olho, - vejo tudo ao contrário. Olho, - tu fecha os olhos ao cantar. E não tem mais, - acabou minha playlist. Linhas, - tu sorriu? E não tem mais, - comeu tudo. Perdas, - foram precisas. Só resta temores, - tu me arrepia. Um só, - mais um só. Temo, - será mesmo um só? Que o vencedor, - em uma briga de egos, são feridos nós dois. Dois ganhadores de coisa mais linda, chamado a... Mor.