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Para além do azul e branco

Isto está cintilando. Uma peça única cheia de café dentro. Amargo. A xícara era bem bonita, continha pequenos traços suaves de azul e branco. Branco... e azul. A combinação perfeita. Céu e nuvem, unidos numa imagem panorâmica de possíveis mundos e de imaginação. Uma figura aparece entre os brancos. O azul logo atrás, como que contendo o estrondoso e barulhento do branco. Sim, o branco grita, é forte demais aos olhos. O azul acalma... traz paz. Mas não era o branco o símbolo de paz? Talvez seja, mas acredito que seja devido ao branco de uma pomba, a pomba não pode ser azul. Já viu uma pomba azul? Não, elas são brancas e em tons cinzas. Pombas! Que fofas. Ratinhos voadores. Ah, mas não esquenta, eu não tenho mais nada a ver com os ratos. Aprendi que ratos ou porcos ou tigres ou leões ou sapos são apenas imagens que eu crio para trazer para fora essa minha genialidade de inventora de mundos.

Ainda continua correndo. O liquido preto vai manchando a borda branca e azul da xícara. Escorrega ou corre, como que assumindo que o único espaço que resta é cair sempre para baixo. Força de gravidade ou vontade? Observo a gota lutando ao desbravar novos caminhos... dou uma lambida de baixo para cima. Saboreio o líquido e a porcelana. Não quero mais desperdiçar nenhuma gota. Café amargo, sem açúcar, por favor. Amargo como a vida, de doce já basta eu. Finalmente afirmo sem pensar que estou errada. Sou mesmo, doce. Mas só com aqueles que consigo ser. De fora, tu não me vê assim... pois eu geralmente estarei concentrada no mundo externo e estarei desligada por completa de sentimentos. Mesmo assim... na maioria do tempo eu não demonstro. É difícil mostrar, pois quando o faço, preciso ter certeza. Sou congruente com o que sinto e não tenho medo de dizer. Isso também é problema, mostrar demais. Não tenho tato. Não sei dizer certo, só sai. Sai e tento ser suave, mas meu jeito não permite. É tua autopreservação. Sim, talvez seja. Talvez seja meus traços fortes, esses de pessoas que não tem paciência com o óbvio. Tu vês demais. Sim, vejo demais, sinto demais, sou demais! Ah, que bom que finalmente isso tudo não é mais uma ofensa, mas elogio. Fazer pazes internas consigo mesma, sugiro, ajuda o medo...

Isso é uma mentira. Tu deve ter medo disso ser um problema. Tá, sim, eu tenho medo. Mas ele não me paralisa mais. Estou domando novamente esses lados, facetas que se constroem dentro e fora de mim. Saber estar em paz não significa que não terás momentos de não paz, apenas saber controlar a situação para retornar ao equilibro. Como falei, não é mais ofensa e não significa que não tenho medo. O medo é bom, ele nos faz ficar atentos. "Eu rio na cara do perigo" é um bom lema, não devia ter me esquecido... nem me adaptado a lemas externos. Faça isso ou aquilo, eles dizem, e eu aqui, dizendo que não farei. Não faz sentido. Não quero. Não é inteligente isso. E se tu tentar um dia insistir comigo, traga teus livros e tuas laudas e teus comprovantes, pois eu não vou aceitar tão facilmente. Não mais. Deixei de acreditar nessas ciladas de conversas bonitas e caras que transparecem algo bom.

Será uma cilada? Sempre temos uma ou outra, mas é assim, ou tu te protege o resto da vida ou assume uma armadura, no meu caso, uma roupa de astronauta, já que vivo lá em cima... viajando.

Onde estás agora? Acho que estou desaparecendo naquele azul. Para além...


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