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Reconheci suas desculpas. Atrás das lentes de sua luneta o olho via outra paisagem e o céu azul era mais violeta. Observava um pássaro negro voar adiante sobre a brancura do mar. O mar era assim: azul profundo e branco inútil. Pelas lentes de sua luneta ele também poderia ver, caso não ficasse observando seu pássaro, que na areia logo abaixo, vinha fazendo pegadas muito pequenas uma mulher de estatura mediana com um grande chapéu rosa. No corpo dessa mulher estava escrito assim "Voar: o vento me levará.". Se ela estivesse menos ocupada em andar com a cabeça baixa, teria visto que o lugar onde procurava estar era lá no alto, onde ventava muito e era onde o observador finalmente perceberia sua presença e talvez até viesse a realizar sua escrita. As coisas da coisa estariam resolvidas. Todas as coisas dos mundos singulares estariam resolvidas em um grande plural. Cada qual estaria bem melhor. Cada qual talvez. Talvez num próximo momento saberiam que os se's, seria melhor se.

Quando o lunático da luneta parou por um breve momento para iniciar seus rascunhos de táticas de voo, seu único modo de eternizar estes momentos, viu que havia pegadas na areia. No desespero da euforia, perdeu seu último pensamento. Nunca mais o encontrou.

O vento começava a ficar mais forte, as mãos da mulher estavam agarradas em seu chapéu. Ela agora tentava não sair correndo e bem gostaria de levantar voo. O monte de areia adiante, apontava uma escada feita de conchas do mar. Seguiu até lá. Colocou seu pé, pequeno, no primeiro degrau. Depois o segundo. Foi uma boa sensação. Apenas no terceiro que sentiu a dor. Cinco. Sete. Dez. Já sangravam.

Não saberia dizer se naquele momento em que ele se perdeu em pensamento, ele saiu apavorado com medo  de perder mais alguma coisa. Ela ainda subia apesar da dor, mas não iria desistir de tentar. Não, eles jamais se encontraram. Se sentiram apenas. Ambos perdiam alguma coisa. Ela o vento e ele o pensamento.

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