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Andava com ela mesma, pensando na vida e nas suas tristezas. Carregava o pacote de comida do amanhã ainda quente. Lembrava dos momentos aqueles que se tem um dia só. Só uma vez. Cada dia um só momento de uma vez. Foi então dobrando a esquina, e vendo os rostos alegres e marotamente coloridos, condizentes com a época do ano. Não sorriu pra ninguém, eram sorrisos fáceis demais. Leves demais. Sorrisos sem fundos. Que não pagavam os impostos da retribuição. Contribuir com eles com sua única companheira? Solidão é bom só. Então que olha pro chão, desviando mais um sorriso e acaba o vendo: poderia ter sido o grande amor da vida, poderia ter sido o salvador da noite, o homem da casa de alguém, porém apenas chora como gaita, uma rouquidão faminta. E neste momento se esvazia dos pesares, e o vento leva ela ao seu ato bondoso e que nunca será lembrado por ninguém mais. Ela saí dali com a lembrança do cobertor sujo, das mãos surradas ao receber mais que um pacote, passou ao homem também seus pesares esperando que se transformassem finalmente na solução de um mundo, do seu mundo. De um mundo que não pertencerá mais a ninguém.

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Se fora

Me sinto mal, por todos os momentos dos quais te evito, aqui e acolá. Eu não te leio mais. Eu nem mesmo sei quando deveria estar fazendo algo… menos do meu trabalho. Tem sido demais. Muitos amigos foram jantar fora. Eu permaneci. Calada, fronte a tua porta, querendo te ver. Querendo te ter. E tu comeu mundos. Mandou. Mudou. E fui. E nem mais sei o que resta desse espaço virtualístico. Uma esperança?

Atrasado

Ele estava tomado por aquele olhar de rato molhado, na chuva, no escuro. Ele estava corrompido pelas mentiras, pelos brilhos de suas linhas refinadas. Ele era uma pessoa esquisita corrompida pelo olhar terceiro. De um canto, sua voz rouca sumia no ar. Ele, nervoso, ficava suspenso nesse ar. Escondia seu rosto. E foi assim que descobri sua fraqueza. Ele era a falha primeira. E de falhas se sustentava, para perfeição seguir seu cortejo, ele se mutilava. E quando as calças compridas caiam de sua estatura, ele as vestia. E o sentido ficava atordoado, era ele e seus dentes brancos, sua voz rouca, alto e minúsculo, mas alto, ele corria e vestia outras roupas, mas nada nada servia. Ele, usando o buné de terceiros, roubado pelo lado esquerdo pela mão de um agressor, deixado no chão de um acidente envolvendo uma arma. O caos das palavras, estava a me perder, e penso, hoje. Na minha cabeça, não há nada que me leve a voltar um único segundo.

O vencedor Mor

Eu te odeio, - sua dramática. Pois te amo, - seu falsiano. E te odeio, - mentiroso. Te amando, - vai ficando. Quando dá mudança, - eu viro caos. Eu pasmo, - nem me surpreendo. Reviro olhos, - adoro tuas expressões. E te soco a cara, - seu panaca! Na mente, - me dá um beijo. Tu mente, - é necessário. Que é até logo, - ou nunca mais. E nunca mais, - não saberemos amanhã. Vira uma esquina, - e o petróleo queima. E ao vencedor, - o melhor troféu. De rimas, - toca mais uma canção. No meio do teu olho, - vejo tudo ao contrário. Olho, - tu fecha os olhos ao cantar. E não tem mais, - acabou minha playlist. Linhas, - tu sorriu? E não tem mais, - comeu tudo. Perdas, - foram precisas. Só resta temores, - tu me arrepia. Um só, - mais um só. Temo, - será mesmo um só? Que o vencedor, - em uma briga de egos, são feridos nós dois. Dois ganhadores de coisa mais linda, chamado a... Mor.