Andava com ela mesma, pensando na vida e nas suas tristezas. Carregava o pacote de comida do amanhã ainda quente. Lembrava dos momentos aqueles que se tem um dia só. Só uma vez. Cada dia um só momento de uma vez. Foi então dobrando a esquina, e vendo os rostos alegres e marotamente coloridos, condizentes com a época do ano. Não sorriu pra ninguém, eram sorrisos fáceis demais. Leves demais. Sorrisos sem fundos. Que não pagavam os impostos da retribuição. Contribuir com eles com sua única companheira? Solidão é bom só. Então que olha pro chão, desviando mais um sorriso e acaba o vendo: poderia ter sido o grande amor da vida, poderia ter sido o salvador da noite, o homem da casa de alguém, porém apenas chora como gaita, uma rouquidão faminta. E neste momento se esvazia dos pesares, e o vento leva ela ao seu ato bondoso e que nunca será lembrado por ninguém mais. Ela saí dali com a lembrança do cobertor sujo, das mãos surradas ao receber mais que um pacote, passou ao homem também seus pesares esperando que se transformassem finalmente na solução de um mundo, do seu mundo. De um mundo que não pertencerá mais a ninguém.
Me sinto mal, por todos os momentos dos quais te evito, aqui e acolá. Eu não te leio mais. Eu nem mesmo sei quando deveria estar fazendo algo… menos do meu trabalho. Tem sido demais. Muitos amigos foram jantar fora. Eu permaneci. Calada, fronte a tua porta, querendo te ver. Querendo te ter. E tu comeu mundos. Mandou. Mudou. E fui. E nem mais sei o que resta desse espaço virtualístico. Uma esperança?
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