Seu senhor, o dono de si observava ele. Ele estava cabisbaixo, com um copo na mão. Ele não conseguia se observar, nem pensar racionalmente, nem tentar se conter. Ele tinha se deixado vencer. Corriam as lágrimas, soltas e alegres de sair daquela mágoa que duravam meses. Elas respiravam os poros da face dele, faziam seu contorno, acariciavam seu olhar triste. Alguns o viram, muitos nem sequer perceberam o mal dele. Não importava afinal. Não importa a ninguém. Ele o observava de longe, pensando no que fazer se ele desistisse da vida. Afinal, nada fazia sentido e eram sentimentos demais para não fazer nada. Ele ia fazer alguma coisa. Estava fraco demais, mas forte o suficiente pra não deixar seu copo que, apertado, segurava na mão. Então tocou a música, ele saiu dali, enxugou o resto da dor e se foi. Aquilo tomou conta dele e ele se sentia melhor, ou pelo menos, menos incompleto. Eu enfim me aproximei, compartilhando a mesma dor, ofereci uma bebida como oferenda. Ninguém falou, eram silêncios demais em todo aquele barulho. Palavras não ditas, dores que jamais serão expostas, feridas que se curam com rancor, álcool e reticências.
Me sinto mal, por todos os momentos dos quais te evito, aqui e acolá. Eu não te leio mais. Eu nem mesmo sei quando deveria estar fazendo algo… menos do meu trabalho. Tem sido demais. Muitos amigos foram jantar fora. Eu permaneci. Calada, fronte a tua porta, querendo te ver. Querendo te ter. E tu comeu mundos. Mandou. Mudou. E fui. E nem mais sei o que resta desse espaço virtualístico. Uma esperança?
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