Pular para o conteúdo principal
Seu senhor, o dono de si observava ele. Ele estava cabisbaixo, com um copo na mão. Ele não conseguia se observar, nem pensar racionalmente, nem tentar se conter. Ele tinha se deixado vencer. Corriam as lágrimas, soltas e alegres de sair daquela mágoa que duravam meses. Elas respiravam os poros da face dele, faziam seu contorno, acariciavam seu olhar triste. Alguns o viram, muitos nem sequer perceberam o mal dele. Não importava afinal. Não importa a ninguém. Ele o observava de longe, pensando no que fazer se ele desistisse da vida. Afinal, nada fazia sentido e eram sentimentos demais para não fazer nada. Ele ia fazer alguma coisa. Estava fraco demais, mas forte o suficiente pra não deixar seu copo que, apertado, segurava na mão. Então tocou a música, ele saiu dali, enxugou o resto da dor e se foi. Aquilo tomou conta dele e ele se sentia melhor, ou pelo menos, menos incompleto. Eu enfim me aproximei, compartilhando a mesma dor, ofereci uma bebida como oferenda. Ninguém falou, eram silêncios demais em todo aquele barulho. Palavras não ditas, dores que jamais serão expostas, feridas que se curam com rancor, álcool e reticências.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Se fora

Me sinto mal, por todos os momentos dos quais te evito, aqui e acolá. Eu não te leio mais. Eu nem mesmo sei quando deveria estar fazendo algo… menos do meu trabalho. Tem sido demais. Muitos amigos foram jantar fora. Eu permaneci. Calada, fronte a tua porta, querendo te ver. Querendo te ter. E tu comeu mundos. Mandou. Mudou. E fui. E nem mais sei o que resta desse espaço virtualístico. Uma esperança?

Atrasado

Ele estava tomado por aquele olhar de rato molhado, na chuva, no escuro. Ele estava corrompido pelas mentiras, pelos brilhos de suas linhas refinadas. Ele era uma pessoa esquisita corrompida pelo olhar terceiro. De um canto, sua voz rouca sumia no ar. Ele, nervoso, ficava suspenso nesse ar. Escondia seu rosto. E foi assim que descobri sua fraqueza. Ele era a falha primeira. E de falhas se sustentava, para perfeição seguir seu cortejo, ele se mutilava. E quando as calças compridas caiam de sua estatura, ele as vestia. E o sentido ficava atordoado, era ele e seus dentes brancos, sua voz rouca, alto e minúsculo, mas alto, ele corria e vestia outras roupas, mas nada nada servia. Ele, usando o buné de terceiros, roubado pelo lado esquerdo pela mão de um agressor, deixado no chão de um acidente envolvendo uma arma. O caos das palavras, estava a me perder, e penso, hoje. Na minha cabeça, não há nada que me leve a voltar um único segundo.

O vencedor Mor

Eu te odeio, - sua dramática. Pois te amo, - seu falsiano. E te odeio, - mentiroso. Te amando, - vai ficando. Quando dá mudança, - eu viro caos. Eu pasmo, - nem me surpreendo. Reviro olhos, - adoro tuas expressões. E te soco a cara, - seu panaca! Na mente, - me dá um beijo. Tu mente, - é necessário. Que é até logo, - ou nunca mais. E nunca mais, - não saberemos amanhã. Vira uma esquina, - e o petróleo queima. E ao vencedor, - o melhor troféu. De rimas, - toca mais uma canção. No meio do teu olho, - vejo tudo ao contrário. Olho, - tu fecha os olhos ao cantar. E não tem mais, - acabou minha playlist. Linhas, - tu sorriu? E não tem mais, - comeu tudo. Perdas, - foram precisas. Só resta temores, - tu me arrepia. Um só, - mais um só. Temo, - será mesmo um só? Que o vencedor, - em uma briga de egos, são feridos nós dois. Dois ganhadores de coisa mais linda, chamado a... Mor.