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A ironia do Balalaika.



E era o dia. Quatro horas e trinta e sete minutos de espera. Levantei, peguei um casaco, olhei-me no espelho, contemplei os fios do tecido, os laços que se criavam entre eles e a estrutura de como cada um acabava em uma ponta sozinho e individualizado. Cada fio, era composto de tantos outros itens, como o brilho, as curvas, o amassado perfeito, a fragilidade de estar unido ao outro e depender daquele primeiro embaraçamento e, principalmente, a estrutura fixa do estado de ser um fio. A finalidade de tudo era ser um pequeno e minúsculo fio. Era se contorcer, virar pros lados, se amarrar e se agarrar ao que estivesse mais próximo ou pré-determinado para a finalidade de montar um conjunto, uma peça, dentre tantas outras que eu possuía.  O fio fino, de algodão? Ou de lã? Era só um pano! Cheio de fios, fato. Fios que se sabiam de cor vibrante. E se não tivesse cor? Ou será que vejo a cor que eu quero ver? Eu estou confusa, espelho-me, me olho, me viro, me desleixo. Postura de censo comum, de censo qualquer, me imponho de cara feia, com a minha mesma. Eu vejo o balalaika de triangulo no canto do olho. O som do fio ao vento. Balalalalalalaika. Era din e don. O fio e o tom. Eram as cores as vibranças e os acasos do conjunto. Era uma obra para se ver, e estava em mim, pois eu os possuía e os ouvia.

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Se fora

Me sinto mal, por todos os momentos dos quais te evito, aqui e acolá. Eu não te leio mais. Eu nem mesmo sei quando deveria estar fazendo algo… menos do meu trabalho. Tem sido demais. Muitos amigos foram jantar fora. Eu permaneci. Calada, fronte a tua porta, querendo te ver. Querendo te ter. E tu comeu mundos. Mandou. Mudou. E fui. E nem mais sei o que resta desse espaço virtualístico. Uma esperança?

Atrasado

Ele estava tomado por aquele olhar de rato molhado, na chuva, no escuro. Ele estava corrompido pelas mentiras, pelos brilhos de suas linhas refinadas. Ele era uma pessoa esquisita corrompida pelo olhar terceiro. De um canto, sua voz rouca sumia no ar. Ele, nervoso, ficava suspenso nesse ar. Escondia seu rosto. E foi assim que descobri sua fraqueza. Ele era a falha primeira. E de falhas se sustentava, para perfeição seguir seu cortejo, ele se mutilava. E quando as calças compridas caiam de sua estatura, ele as vestia. E o sentido ficava atordoado, era ele e seus dentes brancos, sua voz rouca, alto e minúsculo, mas alto, ele corria e vestia outras roupas, mas nada nada servia. Ele, usando o buné de terceiros, roubado pelo lado esquerdo pela mão de um agressor, deixado no chão de um acidente envolvendo uma arma. O caos das palavras, estava a me perder, e penso, hoje. Na minha cabeça, não há nada que me leve a voltar um único segundo.

O vencedor Mor

Eu te odeio, - sua dramática. Pois te amo, - seu falsiano. E te odeio, - mentiroso. Te amando, - vai ficando. Quando dá mudança, - eu viro caos. Eu pasmo, - nem me surpreendo. Reviro olhos, - adoro tuas expressões. E te soco a cara, - seu panaca! Na mente, - me dá um beijo. Tu mente, - é necessário. Que é até logo, - ou nunca mais. E nunca mais, - não saberemos amanhã. Vira uma esquina, - e o petróleo queima. E ao vencedor, - o melhor troféu. De rimas, - toca mais uma canção. No meio do teu olho, - vejo tudo ao contrário. Olho, - tu fecha os olhos ao cantar. E não tem mais, - acabou minha playlist. Linhas, - tu sorriu? E não tem mais, - comeu tudo. Perdas, - foram precisas. Só resta temores, - tu me arrepia. Um só, - mais um só. Temo, - será mesmo um só? Que o vencedor, - em uma briga de egos, são feridos nós dois. Dois ganhadores de coisa mais linda, chamado a... Mor.