Então estava eu ali, deitada sobre minha infância e no lugar
que sempre volto, minha Pasárgada, onde meu Reino é criado. Fecho os olhos, os
pensamentos sobre o hoje, sobre o amanhã, sobre o que não sei lidar, sobre como
irei trapacear esta fase... e sinto o zumbido nos ouvidos, o não ar me
esvaindo, todas aquelas bombas prometidas sendo arremeçadas sobre a minha
cabeça. Sem ver, sem coragem de tentar abrir os olhos, com medo da realidade de
que meus pulmões não me respondiam mais, que meu corpo nem se movesse aos meus
comandos e descubro que, o que quer que tentasse sair de mim, uma alma, meu consciente
ou meu ser, me sufocava ao tentar sair. Era pregada de dentro pra fora e de
fora pra dentro, numa erupção interna de medo de tudo o que havia pensado
antes. A não vida. E pensava apenas que ainda não tinha feito tudo, que não era
possível morrer sonhando e a morte não é feita num sonho. Minha consciência me
deixava, meu coração acelerava... era tanta dor do que não vivi. E com receio
de abrir os olhos e ver um mundo colorido, ou mesmo o nada de onde viemos... eu
precisava respirar. Aí peguei a coragem e força que ainda restavam: minhas
pálpebras se abriram no lugar exato onde havia adormecido. Meu quarto, 01:00
a.m. com a sensação mais terrível da vida: a morte.
Me sinto mal, por todos os momentos dos quais te evito, aqui e acolá. Eu não te leio mais. Eu nem mesmo sei quando deveria estar fazendo algo… menos do meu trabalho. Tem sido demais. Muitos amigos foram jantar fora. Eu permaneci. Calada, fronte a tua porta, querendo te ver. Querendo te ter. E tu comeu mundos. Mandou. Mudou. E fui. E nem mais sei o que resta desse espaço virtualístico. Uma esperança?
Comentários
Postar um comentário