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Michuruquinha

E na sua ida ao matadouro, onde se enfileiram pessoas, caras, roupas, anéis, e se degustam os mates amargos, os gelados, e também se apreciam os sabores finos de salsa, no caminho um velho disse junto com o pensamento da menina: "ela tinha um, michuruquinha". Ele tomava um mate, mas não tava na fila. Ele nem ao menos a tinha visto e falou aquilo. Michuruquinha. Aí que os passos foram mais lentos, e as folhas da árvore próxima ficaram caindo em lentidão tamanha que parecia não estarem caindo, era como se o vento não conseguisse as atingir... e ela ficava pensando naquilo e naquela coisa de que o vento não tava ali. E o passo dela não aumentava mais, ela quase parada, se virou, parou diante do velho, um ancião com cuia na mão e cabelos brancos, chapéu de palha, com aqueles casacos de inverno que só os avôs têm (cheios de bolsos internos, para colocar o fumo e tudo o mais) e no meio da calçada ela sentou olhando fixamente aquela cara enrugada. Ela queria uma explicação de onde ele havia conseguido sincronizar os pensamentos por um único instante, e que significava justamente aquela palavra "michuruquinha", quem diabos fala isso igual a ela? E ele a notou, logo que a viu parada, desajeitada, tentando parecer natural ao sentar ali no meio daquelas pernas que iam e vinham. E o velho disse que ela tava louca, ele era velho, mas sabia de gente louca. Os loucos estavam para além das filas, disse a menina. Ele, nada ofendido com a barbaridade dita, a olhou com os olhos cheios de sinais da antiga vida, e pensou, e ela pensou, e mais uma vez eles se conectaram em pensamento mudo: "sou só eu.". Então ele tossindo as palavras lhe bateram na cara. Ela se levantou aturdida carregando mais aquela sensação de vi tudo ainda não. E no final, ela tinha um pensamento michuruquinha sobre os sós.

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