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Fragmentos

Repousava sobre um balcão suspenso ele: amigo de todas as horas, o meio pelo qual a alegria da noite é transferida de um interior à outro de maneira mecânica. Aplica-se força, movimento e vontade. Se derrama de uma garrafa 600ml o líquido precioso ou uma de 500ml a fonte da vida. Não sei o que ele continha. Alguns presentes ali não o percebiam como era importante, ele o meio pelo qual muitos encostavam os elmos vasos comunicantes para satisfazer a vontade coletiva de parecer se encaixar nos meios sociais. Troca de fluídos e ideais, baboseiras sem fim ou simplesmente válvula de escape interno. Não sei qual era o dele e não importa nem a mim e muito menos a ti, leitor. Enfim, o desastre depois de uma noite inteira é deixá-lo quebrar, despercebido e insignificante. Há quem me dirá: "eu nem preciso dele, um copo de vidro é só um copo de vidro, bebo do gargalo, sou homem ou muito mulher!" Ok. Nem tudo funciona assim, simplesmente alguns precisam do copo como uma cultura anti-bacteriana e higiênica. E mesmo isso é contestável, o que o copo possui? De qualquer modo, sei que ele já estava esfalecido sobre o balcão, em pequenos pedaços, médios pedaços, grandes pedaços sem valor a ponto de constranger o culpado: "não fui eu", ele disse. E assim, corado, escapa do local do crime. Sem penas a cumprir, sem justiça feita a noite se vai. E o que ocorre ao copo meus caros? Jogado de maneira leviana no lixo.  Sem mais.

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Se fora

Me sinto mal, por todos os momentos dos quais te evito, aqui e acolá. Eu não te leio mais. Eu nem mesmo sei quando deveria estar fazendo algo… menos do meu trabalho. Tem sido demais. Muitos amigos foram jantar fora. Eu permaneci. Calada, fronte a tua porta, querendo te ver. Querendo te ter. E tu comeu mundos. Mandou. Mudou. E fui. E nem mais sei o que resta desse espaço virtualístico. Uma esperança?

Atrasado

Ele estava tomado por aquele olhar de rato molhado, na chuva, no escuro. Ele estava corrompido pelas mentiras, pelos brilhos de suas linhas refinadas. Ele era uma pessoa esquisita corrompida pelo olhar terceiro. De um canto, sua voz rouca sumia no ar. Ele, nervoso, ficava suspenso nesse ar. Escondia seu rosto. E foi assim que descobri sua fraqueza. Ele era a falha primeira. E de falhas se sustentava, para perfeição seguir seu cortejo, ele se mutilava. E quando as calças compridas caiam de sua estatura, ele as vestia. E o sentido ficava atordoado, era ele e seus dentes brancos, sua voz rouca, alto e minúsculo, mas alto, ele corria e vestia outras roupas, mas nada nada servia. Ele, usando o buné de terceiros, roubado pelo lado esquerdo pela mão de um agressor, deixado no chão de um acidente envolvendo uma arma. O caos das palavras, estava a me perder, e penso, hoje. Na minha cabeça, não há nada que me leve a voltar um único segundo.

O vencedor Mor

Eu te odeio, - sua dramática. Pois te amo, - seu falsiano. E te odeio, - mentiroso. Te amando, - vai ficando. Quando dá mudança, - eu viro caos. Eu pasmo, - nem me surpreendo. Reviro olhos, - adoro tuas expressões. E te soco a cara, - seu panaca! Na mente, - me dá um beijo. Tu mente, - é necessário. Que é até logo, - ou nunca mais. E nunca mais, - não saberemos amanhã. Vira uma esquina, - e o petróleo queima. E ao vencedor, - o melhor troféu. De rimas, - toca mais uma canção. No meio do teu olho, - vejo tudo ao contrário. Olho, - tu fecha os olhos ao cantar. E não tem mais, - acabou minha playlist. Linhas, - tu sorriu? E não tem mais, - comeu tudo. Perdas, - foram precisas. Só resta temores, - tu me arrepia. Um só, - mais um só. Temo, - será mesmo um só? Que o vencedor, - em uma briga de egos, são feridos nós dois. Dois ganhadores de coisa mais linda, chamado a... Mor.