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Nova em folha

Nova em folha, disse eu. Estou nova em folha. Os anos daquela cidade, pequena cidade, ainda continham os verdes que inicialmente a criaram: por todos os lados era verde, mas acima de tudo, o azul do céu (e os rosas e alaranjados) cobria a moldura visível. Na imensidão de Lugar Algum, eu caminhava, durante dois fôlegos errados, respirei por locais indevidos. Na verdade foram três lugares. Mas esses lugares hoje não me cabem. Ou eu não caibo mais. Às vezes crescemos por todos os poros de nosso corpo, de uma maneira quase impossível de se retornar ao tamanho inicial. Prometo. Prometo que na vida futura, quando e se ela retornar, essa vida será melhor. Eu vivo de uma promessa que larguei num tempo e que não sei se o destino chegará. Alguma voz me disse que sou aqueles destinos, os destinos a qual estou prometida. E, mesmo que seja destino ser nova e ser folha, que eu seja verde, mas acima de tudo, que meu azul nunca desbote no meu coração frio. Que seja meu destino assim também frio e azul: que eu iria correndo agora mesmo encontrá-lo. Mas aqui, atada às cordas invisíveis do Senhor Tempo, que me prega peças todo momento, aguardo. Impaciente. Planejando. Pensando. Desejando. Sendo. E, não menos, amando.

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Se fora

Me sinto mal, por todos os momentos dos quais te evito, aqui e acolá. Eu não te leio mais. Eu nem mesmo sei quando deveria estar fazendo algo… menos do meu trabalho. Tem sido demais. Muitos amigos foram jantar fora. Eu permaneci. Calada, fronte a tua porta, querendo te ver. Querendo te ter. E tu comeu mundos. Mandou. Mudou. E fui. E nem mais sei o que resta desse espaço virtualístico. Uma esperança?

Atrasado

Ele estava tomado por aquele olhar de rato molhado, na chuva, no escuro. Ele estava corrompido pelas mentiras, pelos brilhos de suas linhas refinadas. Ele era uma pessoa esquisita corrompida pelo olhar terceiro. De um canto, sua voz rouca sumia no ar. Ele, nervoso, ficava suspenso nesse ar. Escondia seu rosto. E foi assim que descobri sua fraqueza. Ele era a falha primeira. E de falhas se sustentava, para perfeição seguir seu cortejo, ele se mutilava. E quando as calças compridas caiam de sua estatura, ele as vestia. E o sentido ficava atordoado, era ele e seus dentes brancos, sua voz rouca, alto e minúsculo, mas alto, ele corria e vestia outras roupas, mas nada nada servia. Ele, usando o buné de terceiros, roubado pelo lado esquerdo pela mão de um agressor, deixado no chão de um acidente envolvendo uma arma. O caos das palavras, estava a me perder, e penso, hoje. Na minha cabeça, não há nada que me leve a voltar um único segundo.

O vencedor Mor

Eu te odeio, - sua dramática. Pois te amo, - seu falsiano. E te odeio, - mentiroso. Te amando, - vai ficando. Quando dá mudança, - eu viro caos. Eu pasmo, - nem me surpreendo. Reviro olhos, - adoro tuas expressões. E te soco a cara, - seu panaca! Na mente, - me dá um beijo. Tu mente, - é necessário. Que é até logo, - ou nunca mais. E nunca mais, - não saberemos amanhã. Vira uma esquina, - e o petróleo queima. E ao vencedor, - o melhor troféu. De rimas, - toca mais uma canção. No meio do teu olho, - vejo tudo ao contrário. Olho, - tu fecha os olhos ao cantar. E não tem mais, - acabou minha playlist. Linhas, - tu sorriu? E não tem mais, - comeu tudo. Perdas, - foram precisas. Só resta temores, - tu me arrepia. Um só, - mais um só. Temo, - será mesmo um só? Que o vencedor, - em uma briga de egos, são feridos nós dois. Dois ganhadores de coisa mais linda, chamado a... Mor.