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Lista de ingredientes

Oca
Era a maloca da minha loucura
Cheia de espaços assim
com sons surdos
E vastos ecos
 
Paçoca
de doce sabor, 
amendo-nutri-energético
que me sustenta manhã adentro
Revirada em amargor
 
Cobertura
cremosa, doce pessoa
que virava olhos ao céu
e cabelos ao léu
Que parecia um véu de ternura

Molho
De cor rubi
Tão forte quanto apimentado
Me batia o peito
Como boas paixões o fazem
 
Milho
Coitado, amarelo estava
E nunca mais o vi
Graças ao senhor
Que me deu bom senso de fugir
 
Bolo
De formiga dentro
Que me invadem a casa
Os cantos
As rimas e me dão força
Por ser também assim, pequena
 
Açúcar
Era só para adocicar
O já doce da vida
Que vejo em teu olhar
Paralisado num tempo longínquo
 
Cana
Que faz minha cachaça, 
De álcool às vezes ainda
Respiro, mas menos
Muito menos que outro dia
 
Pinga
Cachaça
Vida
Desgraça
Rapariga
Morre
Corrida
Respira
Transpira
Revolta
De volta
Cai
Cochila
Mochila
Carrega
Carga
Mata
Selvagem.
 

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Se fora

Me sinto mal, por todos os momentos dos quais te evito, aqui e acolá. Eu não te leio mais. Eu nem mesmo sei quando deveria estar fazendo algo… menos do meu trabalho. Tem sido demais. Muitos amigos foram jantar fora. Eu permaneci. Calada, fronte a tua porta, querendo te ver. Querendo te ter. E tu comeu mundos. Mandou. Mudou. E fui. E nem mais sei o que resta desse espaço virtualístico. Uma esperança?

Atrasado

Ele estava tomado por aquele olhar de rato molhado, na chuva, no escuro. Ele estava corrompido pelas mentiras, pelos brilhos de suas linhas refinadas. Ele era uma pessoa esquisita corrompida pelo olhar terceiro. De um canto, sua voz rouca sumia no ar. Ele, nervoso, ficava suspenso nesse ar. Escondia seu rosto. E foi assim que descobri sua fraqueza. Ele era a falha primeira. E de falhas se sustentava, para perfeição seguir seu cortejo, ele se mutilava. E quando as calças compridas caiam de sua estatura, ele as vestia. E o sentido ficava atordoado, era ele e seus dentes brancos, sua voz rouca, alto e minúsculo, mas alto, ele corria e vestia outras roupas, mas nada nada servia. Ele, usando o buné de terceiros, roubado pelo lado esquerdo pela mão de um agressor, deixado no chão de um acidente envolvendo uma arma. O caos das palavras, estava a me perder, e penso, hoje. Na minha cabeça, não há nada que me leve a voltar um único segundo.

O vencedor Mor

Eu te odeio, - sua dramática. Pois te amo, - seu falsiano. E te odeio, - mentiroso. Te amando, - vai ficando. Quando dá mudança, - eu viro caos. Eu pasmo, - nem me surpreendo. Reviro olhos, - adoro tuas expressões. E te soco a cara, - seu panaca! Na mente, - me dá um beijo. Tu mente, - é necessário. Que é até logo, - ou nunca mais. E nunca mais, - não saberemos amanhã. Vira uma esquina, - e o petróleo queima. E ao vencedor, - o melhor troféu. De rimas, - toca mais uma canção. No meio do teu olho, - vejo tudo ao contrário. Olho, - tu fecha os olhos ao cantar. E não tem mais, - acabou minha playlist. Linhas, - tu sorriu? E não tem mais, - comeu tudo. Perdas, - foram precisas. Só resta temores, - tu me arrepia. Um só, - mais um só. Temo, - será mesmo um só? Que o vencedor, - em uma briga de egos, são feridos nós dois. Dois ganhadores de coisa mais linda, chamado a... Mor.