Pegou ele, logo pensou no seu peso. Era robusto, aveludado. Uma peça cara. Virou entre os dedos aquele pequeno e simples objeto. Pensou em todas a vezes que não conseguiu se expressar por ali. Tão simples. Tão ancestral... na era mais primitiva, usavam-se os dedos. Antigos passaram a utilizar meros pedaços de madeira ou rocha, com o descobrimento do fogo, um simples carvão também servia. Então ele logo começou a ter um novo sentido. Ele, leve e preto, aveludado, lembrando a ancestralidade de um carvão. Poderia ser utilizado num pequeno objeto que interpretava os movimentos, não mais na areia ou pedra, desenhava-se por sobre uma mesa digital. Simples anseio de expressar-se. Simples. Tão intrínseco a seu ser selvagem que durante centenas de anos nossa espécie se comunica, nem percebeu que o usava como sempre aprendeu, o apertava, agarrada na essência de que logo iria o deixar ou ser deixada. E deixava ele, desistindo de tudo, não sendo suficiente mais pra ele. Se desapegou de seus traços. De suas formas. Se ampliou para além, pois mente e corpo não trabalham na mesma velocidade. Não, nesse ponto ela imaginava que ele, agora era outra coisa, bem provável que fosse, mas ela não poderia mais saber. As mudanças no seu interior estavam desenhadas e suas plantações de girassóis estavam assumidas, não mais desistia de seus sonhos e os agarrava como nunca, assumidamente sonhadora. Determinada. Corajosa de se adaptar por mil e uma formas que se permitia ser. E era várias e tantas que não conseguia mais decidir quais delas ela seria mais verdadeira. E descobriu seus pilares: seis exatos. Um, é de extrema importância ser livre. Dois, é primordial poder sonhar, mesmo que acordada. Três, somente amarás aquilo que seja verdadeiro e recíproco. Quatro, lutarás pelo que amas e pelo que acredita. Cinco, respeitarás os limites de si e do outro, sendo verdadeira consigo. Seis, o mais leve ou o mais pesado que seja viver, serás intensa, assumidamente intensa. E de agora em diante, enquanto aqui escrevia ela se contentava em ler minhas palavras, fazendo um leve movimento a esquerda da sua cabeça desproporcional, escondendo em metade seu rosto pela porta, escondendo uma parte, deixando outra passar, pois de metades ela é, feita com a raíz de uma sonhadora, que nunca será suficiente nada que definires, para poder revisitar mais tarde, concordar ou gargalhar de seu compromisso bobo, de si para si, para daqui um ano... rever e rir. Ela perigosamente olhou parar ele novamente. Seu melhor amigo, companheiro de todos os tempos. Encarou seu caderno. Passou sua mão, pousou entre as páginas, suspirou. Desejou que fosse selado essas palavras que escrevo. E desligou a luz. Adormeceu, perdida em Lugar Algum, onde lá era amiga dos reis trolls.
Me sinto mal, por todos os momentos dos quais te evito, aqui e acolá. Eu não te leio mais. Eu nem mesmo sei quando deveria estar fazendo algo… menos do meu trabalho. Tem sido demais. Muitos amigos foram jantar fora. Eu permaneci. Calada, fronte a tua porta, querendo te ver. Querendo te ter. E tu comeu mundos. Mandou. Mudou. E fui. E nem mais sei o que resta desse espaço virtualístico. Uma esperança?
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