Me desculpe por ter entrado. A porta estava aberta. Você deixou... você deixou eu entrar. Me disse, venha, eu fui sem pestanejar, confiando nos sentidos que emitíamos um ao outro, sem toques. Conversamos a tarde inteira. Eu nunca via o tempo passar, pois para mim, não tem mistério. Sendo bom ou sendo mau, o tempo passa igual. Pois havia alguma coisa, aquela coisa que eu me repetia, há algo que eu sinto que valia lutar. E eu te dizia, e tentava dizer, me desculpe te quebrar. Desculpe me quebrar antes. Não chegava. E agora já completa, te vejo ainda da mesma forma, pois algumas belezas nem mesmo as marcas da queda apagam. Cerâmica japonesa, folheada em ouro, reluzente, que mantém seus cacos unidos por centenas de anos, pois o importante é não desistir da peça que ela exerce, o servir a algo. Eu me quebrei e me refiz, como nunca antes imaginei. E agora, vejo de longe a porta que me afastei. Ela continua ali. Aberta, entreaberta para quando te revisito em meus sonhos. E eu não me curo por completo, pois há ainda a falta que sempre terá. E me preencho com moldes novos. Modelos novos. Tarefas novas. Cuidados novos. E me permito com borboletas metamorfoseadas de ternura de mim para eu mesma. E sendo gentil, como nunca havia conseguido ser, ainda dói o peito da saudade abafada, como se fosse errado admitir que ainda o processo de deixar ir... dói.
Me sinto mal, por todos os momentos dos quais te evito, aqui e acolá. Eu não te leio mais. Eu nem mesmo sei quando deveria estar fazendo algo… menos do meu trabalho. Tem sido demais. Muitos amigos foram jantar fora. Eu permaneci. Calada, fronte a tua porta, querendo te ver. Querendo te ter. E tu comeu mundos. Mandou. Mudou. E fui. E nem mais sei o que resta desse espaço virtualístico. Uma esperança?
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