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Corrida

321, disse ela. 321, já! Correeeeeeeee!

Esbaforida, chega até o outro lado. Cansada. Sua raiva toma lugar no peito. Raiva, sentimento ruim. Raiva é como erva daninha, dizia minha vó. Se tu deixar ela crescer, tu comete os piores erros. Dizem que os velhos sabem das coisas, discordo um tanto, pois nada mais arrogante do que imaginar que só alguns detém conhecimento e outros não. Se eu for imaginar tudo que os outros sabem e aguardar eles saberem, ficarei entediada. Que droga, raiva dela. De novo ela estava lá, com raiva. Ela foi enganada. Ela detesta correr e ficar com raiva. Raiva e calor: sentimentos escorregadios que não lavam sentimentos, mas aumentam as fervuras deles. Raiva, segundo alguns é um sentimento natural. Ela também pode ser uma doença infecciosa. Raiva de si mesmo é algo sobre frustração de algum ato, situação ou pessoa. No fundo é descontrole. Os humanos e especialmente ela, adora controlar tudo. No fundo, ela prefere quando se sente perdida, pois a faz correr atrás de novas soluções. 

Então ela corre. 

Só mais trinta e dois segundos... 3... 2... relaxa e começa a caminhada novamente.

Desiste. Deixa a raiva de lado por alguns momentos. Sente o pulmão crescer e diminuir, se concentra em sua própria existência... respirar... pirar. Abre os olhos, eu falei que ela os tinha fechado? Quando abre novamente, observa ele. Agora ele estava há menos de 3 metros. Um tanto perto demais. Se ela corresse novamente, alcançava, mas não era o plano. Então ela muda o plano. E decide pegar a esquerda, assim evitaria topar novamente com pessoas desagradáveis. Passa pela ponte, observa o rio com aquelas águas turvas, sempre tons de café e leite. Barro. Tudo feito de terra e tons de terra. Como ela. Ela não entendia o motivo, mas sempre estava nas nuvens e em céus azuis. Ela não cabia nos padrões, nem no seu tom ocre, apenas. Então ela queria por os pés na água, mas a passarela era alta demais para isso. Além, claro, de ser gradeada, como tudo por aqui. Corações guardados em sete chaves, pensamentos ocultos, sorrisos disfarçados, intenções não claras, almas escondidas em silêncios eternos e o pior de tudo... o sentimento de que todos atuam como se não se importassem com o outro. As pessoas frias, enfim. 

Então ela deixa ir a fervura toda. Uma ducha gelada resolve os mundos todos.

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