Renas montadas como ágeis animais domados. Pareciam feitas selvagens, mas domesticadas seguiam os comandos dados. Ele fingia que deixava as rédeas soltas, afinal, que bom moço ele fora. Prendias com nós de amizade, falsos sentidos. As amarras de uma vida escapavam conforme passavam os dias. Nada é seguro, nem mesmo um nó. Nós queimam, nós quebram, nós são desfeitos conforme a maleabilidade de tudo. E aqueles nós em renas eram como grandes conquistas: não se dava um tiro nelas, por parecer uma caçada fácil demais, mais fácil as deixar sofrer aos poucos, enquanto ainda o servem... e quando a temporada acabar, as liberta, pega sua arma e aponta e treina sua mira impecável. Seus olhos azuis e bondosos seguem as tradições: sangue no pescoço, um fio vermelho na neve. Uma tradição como todas são: servem a algo, seja a paz ou a chacina. A maioria de suas vítimas eram gentis e boas, todas as renas são. Elas andam, servem e são fiéis. Também ótimas refeições. Elas preferem se manter vivas e obedecer seu mestre. Sabem que se tentarem algo além irão ser mortas. Sabem do privilégio de andar à meia-noite na sua bela carruagem. Ninguém duvida das intenções dele. Ele e seu carro vermelho. Meia-noite em dezembro. 25 de Dezembro. Centenas de crianças ao redor do mundo celebram duas vindas, um de um menino e outro de um velhinho. Ambos homens. Ambos representando a virilidade masculina. Homens, atentem! Sejam bondosos ou não recebem presentes. Homens! Cuidado! Andem na linha e não sejam bonzinhos demais. Homens, sejam homens e atirem antes de serem atacados. Não confiem em mentes de cobras, pois elas são espertas. Homens, mulheres de ideias vão te dominar. Homens, se afastem, quando as luzes pararem de piscar... O velhinho solta a primeira vítima: um nariz vermelho bem no meio da fuça. Deixa ela correr se mostrando toda, que beleza esta aqui... calibra sua mira. Olho de tiro, o direito. Melhor mira. Coloca sobre o ombro algumas cordas. Esbafora em sua mão na tentativa de fazer calor... O olho azul fica refletido pelo ponto vermelho já um tanto distante, mas ainda brilhante. Que rena fofinha... bum. Ho ho, oh...
Me sinto mal, por todos os momentos dos quais te evito, aqui e acolá. Eu não te leio mais. Eu nem mesmo sei quando deveria estar fazendo algo… menos do meu trabalho. Tem sido demais. Muitos amigos foram jantar fora. Eu permaneci. Calada, fronte a tua porta, querendo te ver. Querendo te ter. E tu comeu mundos. Mandou. Mudou. E fui. E nem mais sei o que resta desse espaço virtualístico. Uma esperança?
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