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Os sonatas

Um dia ele me perguntou o que eu fazia ali, sem nenhuma intenção. Eu adotei uma parede, eu  disse que ela era colorida. Os tons iam ficando azuis e embranquecendo. Eu estava de pé na frente de sua testa, meu lábios quase o tocavam. Nenhuma lágrima corria pelos nossos rostos. Cada passo dado e tomado, foi uma interpretação falsa, mas ele subiu os andares e não desistiu. Ele tinha se confundido. Ele me olhou com seus olhos verdes e disse que foi sem querer, me vendo nua. Interpretações errôneas. Como uma nota que insiste em bater, um erro novamente. Aquela tecla branca e colorida com as pretas. O som de um piano me acompanhava pela vida. uma sonata, um soneto esquecido entre a intensidade de cabelos arrepiados que subiam minha pele em ondas sonoras. Eu era eletricidade, ele era minha fonte de energia e havia sido até então a coisa mais pura da vida. Não mais. Ele um degrau abaixo, me deixando grande suficiente. Quase indo. E eu deixei ir? Não, aquele ímã, o vício. Ele não dava as costas e eu não deixei ele ir. Agarrada na possibilidade de um de nós voltarmos. Me despedi por quase um ano. Ele não amava mais. Eu estava reaprendendo a fazer isso. Me amar. Um dia ele retornará e eu não estarei aqui, talvez vá ao outro lado desse universo. Talvez meu brilho se encontrará com alguma outra fagulha que insiste em não desistir como eu. Erro após erro, nunca deixando ir e sempre lutando. Lutando de novo, pois não temos dias de glória. Nem orgulho. Não me resta mais nada além de vontade de amar. E que eu seja forte pra não desistir disso. Nem me convencerem do contrário novamente.

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Se fora

Me sinto mal, por todos os momentos dos quais te evito, aqui e acolá. Eu não te leio mais. Eu nem mesmo sei quando deveria estar fazendo algo… menos do meu trabalho. Tem sido demais. Muitos amigos foram jantar fora. Eu permaneci. Calada, fronte a tua porta, querendo te ver. Querendo te ter. E tu comeu mundos. Mandou. Mudou. E fui. E nem mais sei o que resta desse espaço virtualístico. Uma esperança?

Atrasado

Ele estava tomado por aquele olhar de rato molhado, na chuva, no escuro. Ele estava corrompido pelas mentiras, pelos brilhos de suas linhas refinadas. Ele era uma pessoa esquisita corrompida pelo olhar terceiro. De um canto, sua voz rouca sumia no ar. Ele, nervoso, ficava suspenso nesse ar. Escondia seu rosto. E foi assim que descobri sua fraqueza. Ele era a falha primeira. E de falhas se sustentava, para perfeição seguir seu cortejo, ele se mutilava. E quando as calças compridas caiam de sua estatura, ele as vestia. E o sentido ficava atordoado, era ele e seus dentes brancos, sua voz rouca, alto e minúsculo, mas alto, ele corria e vestia outras roupas, mas nada nada servia. Ele, usando o buné de terceiros, roubado pelo lado esquerdo pela mão de um agressor, deixado no chão de um acidente envolvendo uma arma. O caos das palavras, estava a me perder, e penso, hoje. Na minha cabeça, não há nada que me leve a voltar um único segundo.

O vencedor Mor

Eu te odeio, - sua dramática. Pois te amo, - seu falsiano. E te odeio, - mentiroso. Te amando, - vai ficando. Quando dá mudança, - eu viro caos. Eu pasmo, - nem me surpreendo. Reviro olhos, - adoro tuas expressões. E te soco a cara, - seu panaca! Na mente, - me dá um beijo. Tu mente, - é necessário. Que é até logo, - ou nunca mais. E nunca mais, - não saberemos amanhã. Vira uma esquina, - e o petróleo queima. E ao vencedor, - o melhor troféu. De rimas, - toca mais uma canção. No meio do teu olho, - vejo tudo ao contrário. Olho, - tu fecha os olhos ao cantar. E não tem mais, - acabou minha playlist. Linhas, - tu sorriu? E não tem mais, - comeu tudo. Perdas, - foram precisas. Só resta temores, - tu me arrepia. Um só, - mais um só. Temo, - será mesmo um só? Que o vencedor, - em uma briga de egos, são feridos nós dois. Dois ganhadores de coisa mais linda, chamado a... Mor.