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Quebranto

Uma nova miragem apontava o caminho escuro daquela estação. Dois pares de olhos caminhavam por sobre as sombras que iam e vinham de folhas esquecidas de cair. Um momento de suspensão, seu corpo ia e vinha, mas os olhos se mantinham lá, cruzados por sobre uma pálpebra roxa. Um soco. Uma luta. Uma batalha interna. Um sofrimento sentido na alma. Uma ação e demonstração de afeto agressivos. Um dia ele iria ir. Um afeto rebelde que pensou que amar era agarrar com toda força. Os pares opacos do branco ainda flutuavam na escuridão, seus pensamentos flutuavam sem entender as sensações de dor e decepção. Não era justo. Nada era justo. Um soco. Um tapa. Batia-se descontroladamente. Queria sentir dor. Tudo ardia. Tudo. O fogo era tão gélido quanto a alma que não a ouvia mais. Um corpo dormente ao seu lado jazia ali, inanimado. Não adiantava mais gritar. As palavras eram inúteis. Os pares de olhos ainda estavam lá e o corpo continuaria ali. Parados e distantes. Um corpo sem vida e sem vontades junto de um par de olhos frios e distantes. Duas almas rubras. Suas potências agora apagadas pela força do ódio pela vida. A vida... uma fagulha que no vento nem vemos passar. Um tempo perdido e duas palavras naquela boca que hoje estava marrom. Marrom. Tom morto. Mmm. Morto. Uma genialidade apagada, mil ideias afogadas e trilhões de espaços em branco. Entre olhos opacos. Entre corpo o lânguido e esbranquiçado. Feito feras abatidas. Feito cinzas espalhadas após as chamas. Potências que se multiplicavam agora divididas pelas decisões. Não tem mais volta. Não terá mais.

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Se fora

Me sinto mal, por todos os momentos dos quais te evito, aqui e acolá. Eu não te leio mais. Eu nem mesmo sei quando deveria estar fazendo algo… menos do meu trabalho. Tem sido demais. Muitos amigos foram jantar fora. Eu permaneci. Calada, fronte a tua porta, querendo te ver. Querendo te ter. E tu comeu mundos. Mandou. Mudou. E fui. E nem mais sei o que resta desse espaço virtualístico. Uma esperança?

Atrasado

Ele estava tomado por aquele olhar de rato molhado, na chuva, no escuro. Ele estava corrompido pelas mentiras, pelos brilhos de suas linhas refinadas. Ele era uma pessoa esquisita corrompida pelo olhar terceiro. De um canto, sua voz rouca sumia no ar. Ele, nervoso, ficava suspenso nesse ar. Escondia seu rosto. E foi assim que descobri sua fraqueza. Ele era a falha primeira. E de falhas se sustentava, para perfeição seguir seu cortejo, ele se mutilava. E quando as calças compridas caiam de sua estatura, ele as vestia. E o sentido ficava atordoado, era ele e seus dentes brancos, sua voz rouca, alto e minúsculo, mas alto, ele corria e vestia outras roupas, mas nada nada servia. Ele, usando o buné de terceiros, roubado pelo lado esquerdo pela mão de um agressor, deixado no chão de um acidente envolvendo uma arma. O caos das palavras, estava a me perder, e penso, hoje. Na minha cabeça, não há nada que me leve a voltar um único segundo.

O vencedor Mor

Eu te odeio, - sua dramática. Pois te amo, - seu falsiano. E te odeio, - mentiroso. Te amando, - vai ficando. Quando dá mudança, - eu viro caos. Eu pasmo, - nem me surpreendo. Reviro olhos, - adoro tuas expressões. E te soco a cara, - seu panaca! Na mente, - me dá um beijo. Tu mente, - é necessário. Que é até logo, - ou nunca mais. E nunca mais, - não saberemos amanhã. Vira uma esquina, - e o petróleo queima. E ao vencedor, - o melhor troféu. De rimas, - toca mais uma canção. No meio do teu olho, - vejo tudo ao contrário. Olho, - tu fecha os olhos ao cantar. E não tem mais, - acabou minha playlist. Linhas, - tu sorriu? E não tem mais, - comeu tudo. Perdas, - foram precisas. Só resta temores, - tu me arrepia. Um só, - mais um só. Temo, - será mesmo um só? Que o vencedor, - em uma briga de egos, são feridos nós dois. Dois ganhadores de coisa mais linda, chamado a... Mor.