Sempre que te vejo, um sorriso interno preenche as fibras do peito. Como uma musculatura, quase enferrujada, eu vou testando novamente meus limites. Não é sempre agradável, pois após um tempo, nosso corpo prefere se manter em descanso, se movimentar e seguir adiante não é mais um hábito. Não quando tudo isso já é conhecido. Os louros pelos danos. Os danos que, imprevisíveis, virão silenciosamente. Adormecendo enquanto aguardo, fecho os olhos e te lembro, congelado, num meio sorriso e no meio de uma prece. Os olhos colados em um rosto petrificado. Um tempo parado entre outros universos e outros conhecidos. Um suspiro e adormeço por completo. Nada mais está pesado e nada mais é pensado. Entre os sonhos há apenas o inconsciente levando-me mais profundo aos meus anseios e desejos. Um ou outro rosto borrado me mostra um passado incompreensível. Ainda desvendo as cores que vejo, pois ainda sonho colorido. Aquele sorriso no início de todo pensamento paira pelo ar, como o Gato de Alice. Eu relembro as cores, um movimento involuntário, meu coração parece mais desperto, mas ainda estou caindo... e ainda não estou desperta, apenas sinto essa sensação de acelerar o músculo vital. Não compreendo os sons que enchem meus ouvidos, mas imagino que fora do meu corpo, a chuva iniciou seu canto suave por sobre as telhas. Penso como sou capaz de viver entre esses limiares de realidade e virtualidade. Não sinto mais o ar nos pulmões, pois ao adormecer, ele se torna imperceptível. E assim, como um silêncio não ouvido, tudo escurece e me torno uma nuvem evaporada que some... sem entender onde está.
Me sinto mal, por todos os momentos dos quais te evito, aqui e acolá. Eu não te leio mais. Eu nem mesmo sei quando deveria estar fazendo algo… menos do meu trabalho. Tem sido demais. Muitos amigos foram jantar fora. Eu permaneci. Calada, fronte a tua porta, querendo te ver. Querendo te ter. E tu comeu mundos. Mandou. Mudou. E fui. E nem mais sei o que resta desse espaço virtualístico. Uma esperança?
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