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Acidente na Avenida

> Saquei meu cartão de vale transporte do bolso do meu jeans. Meu jeans surrado, rasgado por todos os lados. Do meu lado esquerdo havia uma senhora, parada, lendo uma revista de tricô. Carregava junto dela uma sacola onde provavelmente estariam suas linhas e agulhas. Do meu lado direito havia um homem gordo, grande, com uma barriga passando sobre sua cinta marrom e descascada pelo uso. Conseguia ver pequenas bolas vermelhas no seu pescoço, efeito do uso de camisa social apertada. Eu estava há 17 minutos aguardando o meu transporte. Os transportes daqui costumavam ser atrasados, um ônibus levava cerca de 15 minutos para efetuar o trajeto, segundo os panfletos feitos para os turistas. Devido a falta de carros e de um trânsito congestionado, ele chegava cerca de 10 minutos atrasado, quando não mais. Em outros tempos eu andava de bicicleta para efetuar o mesmo trajeto. Depois de ter sofrido um acidente na Avenida dos Zumbis prefiro o transporte coletivo.

>> Ele sentiu um calafrio quando pensou no acidente. Era um dia claro, com muito sol. Ele não lembrava se já era de tarde ou próximo ao horário do almoço. Tampouco sabia que em 27 minutos após acordar de uma noite de sonos inquietos e perturbantes, estaria esticado no centro da Avenida.

>>> Foi uma manhã terrível para o motorista Teobaldo. Ele havia recebido o aviso prévio. Tinha cinco filhos, três deles ainda menores de 13 anos. O mais velho estava preso. A menina mais velha estava na faculdade de Direito, primeiro ano. Agradecia todos os dias pelo Governo Federal ajudar com os auxílios de Educação. Falhou em permitir o filho a sair tão cedo de casa, veja no que deu. O problema que não saia da cabeça era que a mulher o estava cobrando uma televisão nova para ver a Copa. Ele fora demitido. Ele fora de si não viu o ciclista. BAM.

>>>> 03 de Junho de 2014. – O Jornal do Canal 66

Morre hoje pela manhã o jovem ciclista Miguel, estudante de Música. Miguel estava indo em direção ao Centro quando um ônibus o atingiu num cruzamento. E agora voltamos com a Previsão do Tempo.

 

>>>>> Ele era um bom homem. Ele era meu bom menino. Ele era meu melhor amigo. Eu não gostava da música dele, mas agora gosto. Acho que ele não usava capacete. Ele deveria ter ido com calma. Ele podia ter sido meu amante, íamos ter um encontro no final de semana.

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– Moço?

– Hey, moço!

– Uhm, quê!?

– Chegamos no fim da linha.

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Se fora

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Atrasado

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O vencedor Mor

Eu te odeio, - sua dramática. Pois te amo, - seu falsiano. E te odeio, - mentiroso. Te amando, - vai ficando. Quando dá mudança, - eu viro caos. Eu pasmo, - nem me surpreendo. Reviro olhos, - adoro tuas expressões. E te soco a cara, - seu panaca! Na mente, - me dá um beijo. Tu mente, - é necessário. Que é até logo, - ou nunca mais. E nunca mais, - não saberemos amanhã. Vira uma esquina, - e o petróleo queima. E ao vencedor, - o melhor troféu. De rimas, - toca mais uma canção. No meio do teu olho, - vejo tudo ao contrário. Olho, - tu fecha os olhos ao cantar. E não tem mais, - acabou minha playlist. Linhas, - tu sorriu? E não tem mais, - comeu tudo. Perdas, - foram precisas. Só resta temores, - tu me arrepia. Um só, - mais um só. Temo, - será mesmo um só? Que o vencedor, - em uma briga de egos, são feridos nós dois. Dois ganhadores de coisa mais linda, chamado a... Mor.