Pular para o conteúdo principal

O encontro

 Eu encontrei ele hoje.

- É mesmo? E como foi? Me conta tudo!

Estávamos tão bem... ah, ele abriu a porta do carro. Sim! Uma coisa esquisita, né, tudo tão cena de filme, sabe, mas ele... ah, me levou para jantar no Panorama. Sim! O melhor restaurante da cidade. Ele decidiu tudo, conforme eu disse para ele fazer. Você sabe, ele não faria tudo tão certo, se não fosse eu dando todas as dicas, né, querida. Então peguei meu cartão, deixei todo liberado para ele poder usar, já que ganho mais, qual o problema, né amiga? Ah, mas ele se comportou tão bem! Um verdadeiro gentleman... na hora de escolher o vinho, me disse que faria uma surpresa! E eu, louca que sou por eles, deixei. Amiga, o vinho era maravilhoso! Onde ele conseguiu tão bom gosto? Deve ter sido naquela viagem que ele fez e nunca imaginou me incluir nos planos dele... ou será que foi aquele amigo da Espanha que ele tanto me fala? Ah, sim, ele adora dizer que tem amigos aqui e acolá, na verdade, ele conversou quase toda a janta e sequer perguntou o que eu passei enquanto ele estava fora! Sim, sempre introduzia um novo assunto, parecia um papagaio, mas juro, um papagaio verde dos mais bonitos. Amiga... ele nem deixou eu dizer como saborosa estava aquela sobremesa... ah... as sobremesas! Que delícia que eram! Ele não me deixou dizer que eu estava com problemas de diabetes, não, nem quis ouvir! Deixou eu comer tudo, sequer perguntou se eu estava cheia ou não, mas eu amei, pois é! Eu amei essa falta de sensibilidade, pois é assim, não? O bom é que comi três, TRÊS deliciosas sobremesas, deixa eu dizer, o primeiro foi o sorvete de chocolate, óbvio, sim. Meu menos favorito, ai dele se pedisse de flocos, como eu amo!  Adoro ver como ele me contradiz!!! O segundo, ele pediu uma torta de maçã, pois ele sabe que eu detesto frutas cozidas... mas até que deixei passar... um dia ficarei velhinha e não poderei mastigar, talvez seja por isso que ele já pediu, né, para eu ir me acostumando. Ainh, sim, ele já me imagina idosa! Só pode! A terceira, era uma mistura de bolo de abacaxi com coco. Eu pirei! Fui nas alturas e desci ao inferno, pois não suportava aqueles dois sabores juntos, mas eu só perdoei ele, pois no fim de tudo, com a boca cheia de bolo, ele me deu um beijo, selando essa paixão atormentadora!

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Se fora

Me sinto mal, por todos os momentos dos quais te evito, aqui e acolá. Eu não te leio mais. Eu nem mesmo sei quando deveria estar fazendo algo… menos do meu trabalho. Tem sido demais. Muitos amigos foram jantar fora. Eu permaneci. Calada, fronte a tua porta, querendo te ver. Querendo te ter. E tu comeu mundos. Mandou. Mudou. E fui. E nem mais sei o que resta desse espaço virtualístico. Uma esperança?

Atrasado

Ele estava tomado por aquele olhar de rato molhado, na chuva, no escuro. Ele estava corrompido pelas mentiras, pelos brilhos de suas linhas refinadas. Ele era uma pessoa esquisita corrompida pelo olhar terceiro. De um canto, sua voz rouca sumia no ar. Ele, nervoso, ficava suspenso nesse ar. Escondia seu rosto. E foi assim que descobri sua fraqueza. Ele era a falha primeira. E de falhas se sustentava, para perfeição seguir seu cortejo, ele se mutilava. E quando as calças compridas caiam de sua estatura, ele as vestia. E o sentido ficava atordoado, era ele e seus dentes brancos, sua voz rouca, alto e minúsculo, mas alto, ele corria e vestia outras roupas, mas nada nada servia. Ele, usando o buné de terceiros, roubado pelo lado esquerdo pela mão de um agressor, deixado no chão de um acidente envolvendo uma arma. O caos das palavras, estava a me perder, e penso, hoje. Na minha cabeça, não há nada que me leve a voltar um único segundo.

O vencedor Mor

Eu te odeio, - sua dramática. Pois te amo, - seu falsiano. E te odeio, - mentiroso. Te amando, - vai ficando. Quando dá mudança, - eu viro caos. Eu pasmo, - nem me surpreendo. Reviro olhos, - adoro tuas expressões. E te soco a cara, - seu panaca! Na mente, - me dá um beijo. Tu mente, - é necessário. Que é até logo, - ou nunca mais. E nunca mais, - não saberemos amanhã. Vira uma esquina, - e o petróleo queima. E ao vencedor, - o melhor troféu. De rimas, - toca mais uma canção. No meio do teu olho, - vejo tudo ao contrário. Olho, - tu fecha os olhos ao cantar. E não tem mais, - acabou minha playlist. Linhas, - tu sorriu? E não tem mais, - comeu tudo. Perdas, - foram precisas. Só resta temores, - tu me arrepia. Um só, - mais um só. Temo, - será mesmo um só? Que o vencedor, - em uma briga de egos, são feridos nós dois. Dois ganhadores de coisa mais linda, chamado a... Mor.