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Lealdade ao (ap)ego

Duas doses de abandono, três ou quatro esperas nunca contempladas. Esperei mais um ano e ele nunca chegava... seria o destino para me dizer que já bastava? Abri a gaveta, peguei aquele pacote onde encontrava os merecidos botões desse suspiro passado, não haviam rosas nem flores e nem cheiros, eram apenas uma folha seca e sem vida... e antes que pudesse perceber estava afogada pelas memórias... e ainda que não sentisse estava absorta no teu pensamento. E um novo pensamento me adentrava... Tu  me chamava ao longe, muito longe, entre terras que nunca explorei e, eu ia, facilmente, encantada, cheia de vida e de possibilidades. Provavelmente te assustei, minha força faz isso. Ou seria minha fraqueza? Ainda fico tentando equilibrar, mas sei, é algo que tende a ser as duas coisas, nem um preto e nem um branco, todas as cores e tons entre os cinzas que tu vês no teu céu... e eu que me encanto com meus tons azulados, vou tentando deixar de lado... mas esse pensar não basta, tu me chama mais, mais e mais... e não sei se estou louca ou é ego, mas a voz interna clama algo que não entendo. Seria loucura ou seria apego? Tão raso é o sentir que nem sei se é possível se aprofundar com palavras, afinal, ações são mais efetivas. Esvazio o quarto então, para deixar espaços para serem aproveitados, minha saúde pede, meu corpo todo pede, mas antes de seguir, olho para aquele caderno cheio de memórias que deixo pela prateleira, percorro os olhos para as fotografias lado a lado e lembro que passado é algo imaginado: nem mesmo imagens captam tão bem aquele suspiro que vivi aos teus braços...

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Se fora

Me sinto mal, por todos os momentos dos quais te evito, aqui e acolá. Eu não te leio mais. Eu nem mesmo sei quando deveria estar fazendo algo… menos do meu trabalho. Tem sido demais. Muitos amigos foram jantar fora. Eu permaneci. Calada, fronte a tua porta, querendo te ver. Querendo te ter. E tu comeu mundos. Mandou. Mudou. E fui. E nem mais sei o que resta desse espaço virtualístico. Uma esperança?

Atrasado

Ele estava tomado por aquele olhar de rato molhado, na chuva, no escuro. Ele estava corrompido pelas mentiras, pelos brilhos de suas linhas refinadas. Ele era uma pessoa esquisita corrompida pelo olhar terceiro. De um canto, sua voz rouca sumia no ar. Ele, nervoso, ficava suspenso nesse ar. Escondia seu rosto. E foi assim que descobri sua fraqueza. Ele era a falha primeira. E de falhas se sustentava, para perfeição seguir seu cortejo, ele se mutilava. E quando as calças compridas caiam de sua estatura, ele as vestia. E o sentido ficava atordoado, era ele e seus dentes brancos, sua voz rouca, alto e minúsculo, mas alto, ele corria e vestia outras roupas, mas nada nada servia. Ele, usando o buné de terceiros, roubado pelo lado esquerdo pela mão de um agressor, deixado no chão de um acidente envolvendo uma arma. O caos das palavras, estava a me perder, e penso, hoje. Na minha cabeça, não há nada que me leve a voltar um único segundo.

O vencedor Mor

Eu te odeio, - sua dramática. Pois te amo, - seu falsiano. E te odeio, - mentiroso. Te amando, - vai ficando. Quando dá mudança, - eu viro caos. Eu pasmo, - nem me surpreendo. Reviro olhos, - adoro tuas expressões. E te soco a cara, - seu panaca! Na mente, - me dá um beijo. Tu mente, - é necessário. Que é até logo, - ou nunca mais. E nunca mais, - não saberemos amanhã. Vira uma esquina, - e o petróleo queima. E ao vencedor, - o melhor troféu. De rimas, - toca mais uma canção. No meio do teu olho, - vejo tudo ao contrário. Olho, - tu fecha os olhos ao cantar. E não tem mais, - acabou minha playlist. Linhas, - tu sorriu? E não tem mais, - comeu tudo. Perdas, - foram precisas. Só resta temores, - tu me arrepia. Um só, - mais um só. Temo, - será mesmo um só? Que o vencedor, - em uma briga de egos, são feridos nós dois. Dois ganhadores de coisa mais linda, chamado a... Mor.