Um espinho estava balançando por aquela caixa esquecida, caindo... Uma caixa esquecida dentro do armário, um propósito simplório dado a ela, guardar e reservar os incontáveis espinhos da roseira que um dia fora a mais bela do bairro. Foram 16 anos naquele precipício. E agora ela cortava galho por galho. E os juntava em grandes montes por sobre a mesa da sala. Achava que conseguiria até o fim da semana permanecer lúcida, mas os espinhos a tonteavam como quando tomamos um grande gole de licor, tomada às pressas, causa danos. Acredito que apenas pequenas pétalas teriam ajudado ela a não se mutilar, mas ela evitava até isso. O poder de uma roseira na mão de uma mulher é simplesmente inimaginável. Aquela roseira em específico continha algo mais que especial. E aquela mulher cortava os galhos. Todos eles. E de cada um, ela retirava seus espinhos e os guardava dentro da caixa, colocando papel seda por sobre camadas, selecionados para impressionar qualquer um que venha se aventurar e perguntar. Um belo espécime de roseira, uma bela espécime de caixa. Um belo incongruente de calos em suas mãos.
Me sinto mal, por todos os momentos dos quais te evito, aqui e acolá. Eu não te leio mais. Eu nem mesmo sei quando deveria estar fazendo algo… menos do meu trabalho. Tem sido demais. Muitos amigos foram jantar fora. Eu permaneci. Calada, fronte a tua porta, querendo te ver. Querendo te ter. E tu comeu mundos. Mandou. Mudou. E fui. E nem mais sei o que resta desse espaço virtualístico. Uma esperança?
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