Pular para o conteúdo principal

O vento silencioso

 Antes de tu me conhecer eu era uma grande pessoa: vivia sussurrando no ouvido da sorte, algo como... tu estará onde o vento te levar. Hoje, porém, acordo do lado esquerdo da cama e o restante do meu corpo, salvo o coração, está gelado. Gelo é algo que nos carrega os sentidos e, penso, será minha gana ser gelada até os confins da vida? Será que me veria tão azulada? Macabra? Ontem comi uma laranja, amarga ou azeda. Nunca sei diferenciar. Mas o gosto me arranha a garganta. Sina de vida, eu vejo isso o tempo inteiro, a morte do meu gosto pelo outro. 

E me decido descer o apartamento, me agarro no corrimão. Meus dedos nunca mais irão desgrudar dali. Um momento em que me equilibro. Eu caio e encontro, todo o meu fundo, negro, comprido, frio. O fundo do poço. O alto, o ápice da montanha que me congela. A ânsia que me tira o sangue na madrugada de janelas abertas. O cão que uiva pela morte através da lua.

Um único suspiro e minha mão, que agarra com força o pedaço de metal, escorrega e num baque silencioso, eu desfaleço sem ninguém perceber. Um êxtase não ouvido. O prazer nunca visto. A languidez, finalmente, expressa pelo fio vermelho que transborda andares.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Se fora

Me sinto mal, por todos os momentos dos quais te evito, aqui e acolá. Eu não te leio mais. Eu nem mesmo sei quando deveria estar fazendo algo… menos do meu trabalho. Tem sido demais. Muitos amigos foram jantar fora. Eu permaneci. Calada, fronte a tua porta, querendo te ver. Querendo te ter. E tu comeu mundos. Mandou. Mudou. E fui. E nem mais sei o que resta desse espaço virtualístico. Uma esperança?

Atrasado

Ele estava tomado por aquele olhar de rato molhado, na chuva, no escuro. Ele estava corrompido pelas mentiras, pelos brilhos de suas linhas refinadas. Ele era uma pessoa esquisita corrompida pelo olhar terceiro. De um canto, sua voz rouca sumia no ar. Ele, nervoso, ficava suspenso nesse ar. Escondia seu rosto. E foi assim que descobri sua fraqueza. Ele era a falha primeira. E de falhas se sustentava, para perfeição seguir seu cortejo, ele se mutilava. E quando as calças compridas caiam de sua estatura, ele as vestia. E o sentido ficava atordoado, era ele e seus dentes brancos, sua voz rouca, alto e minúsculo, mas alto, ele corria e vestia outras roupas, mas nada nada servia. Ele, usando o buné de terceiros, roubado pelo lado esquerdo pela mão de um agressor, deixado no chão de um acidente envolvendo uma arma. O caos das palavras, estava a me perder, e penso, hoje. Na minha cabeça, não há nada que me leve a voltar um único segundo.

O vencedor Mor

Eu te odeio, - sua dramática. Pois te amo, - seu falsiano. E te odeio, - mentiroso. Te amando, - vai ficando. Quando dá mudança, - eu viro caos. Eu pasmo, - nem me surpreendo. Reviro olhos, - adoro tuas expressões. E te soco a cara, - seu panaca! Na mente, - me dá um beijo. Tu mente, - é necessário. Que é até logo, - ou nunca mais. E nunca mais, - não saberemos amanhã. Vira uma esquina, - e o petróleo queima. E ao vencedor, - o melhor troféu. De rimas, - toca mais uma canção. No meio do teu olho, - vejo tudo ao contrário. Olho, - tu fecha os olhos ao cantar. E não tem mais, - acabou minha playlist. Linhas, - tu sorriu? E não tem mais, - comeu tudo. Perdas, - foram precisas. Só resta temores, - tu me arrepia. Um só, - mais um só. Temo, - será mesmo um só? Que o vencedor, - em uma briga de egos, são feridos nós dois. Dois ganhadores de coisa mais linda, chamado a... Mor.