Pular para o conteúdo principal

O rei decapitado

Ela sentou delicadamente, cruzou as pernas, suas coxas saltaram os músculos. Ele observou as carnes pularem sobre a cadeira. Ela não conseguia sentir-se confortável. São camadas finas, mas te sufocam feito toneladas, apertando as células cheias de gordura. 

Ela queria correr dali, mas era sua chance. Este negócio a faria receber um bônus no salário. Um jantar, um contrato assinado. Ela só precisava suportar até o fim. 

O que tu tens de fazer, é apenas aceitar meus termos. Ele disse, a encarando, enquanto ela bebericava sua água com limão e gelo. Ela levanta os olhos meio castanhos claros, meio verdes nos dias cinzas. Ele não a reconhecia ali. Uma terceira cor nos olhos dela o alertou.

Eu jamais me curvaria a tuas exigências, senhor. Saiba que antes de assinar quaisquer termos, preciso experimentar os produtos. Minha empresa não está disponível à especulação. Ela, impassível, diz sem seriedade, sorri logo após o alertar.

Me fode, tu não tens como criar termos, tua empresa está falida!

Ela até está, mas não é isso que me fará negociar facilmente contigo. Um rei está disponível, com ou sem cabeça: tu está no controle, até não mais estar... Mercados mudam tanto quanto teus desejos. E de reis, o mundo está cheio, e eu cresço a cada cabeça cortada. 

Estou ciente. E meu pescoço não está a prêmio.

Será mesmo? Ela pergunta, levantando da mesa, deixando sobre a mesa um tecido pequeno e vermelho amassado, indecifrável. 

A porta abre e fecha logo atrás de sua sombra.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Se fora

Me sinto mal, por todos os momentos dos quais te evito, aqui e acolá. Eu não te leio mais. Eu nem mesmo sei quando deveria estar fazendo algo… menos do meu trabalho. Tem sido demais. Muitos amigos foram jantar fora. Eu permaneci. Calada, fronte a tua porta, querendo te ver. Querendo te ter. E tu comeu mundos. Mandou. Mudou. E fui. E nem mais sei o que resta desse espaço virtualístico. Uma esperança?

Atrasado

Ele estava tomado por aquele olhar de rato molhado, na chuva, no escuro. Ele estava corrompido pelas mentiras, pelos brilhos de suas linhas refinadas. Ele era uma pessoa esquisita corrompida pelo olhar terceiro. De um canto, sua voz rouca sumia no ar. Ele, nervoso, ficava suspenso nesse ar. Escondia seu rosto. E foi assim que descobri sua fraqueza. Ele era a falha primeira. E de falhas se sustentava, para perfeição seguir seu cortejo, ele se mutilava. E quando as calças compridas caiam de sua estatura, ele as vestia. E o sentido ficava atordoado, era ele e seus dentes brancos, sua voz rouca, alto e minúsculo, mas alto, ele corria e vestia outras roupas, mas nada nada servia. Ele, usando o buné de terceiros, roubado pelo lado esquerdo pela mão de um agressor, deixado no chão de um acidente envolvendo uma arma. O caos das palavras, estava a me perder, e penso, hoje. Na minha cabeça, não há nada que me leve a voltar um único segundo.

O vencedor Mor

Eu te odeio, - sua dramática. Pois te amo, - seu falsiano. E te odeio, - mentiroso. Te amando, - vai ficando. Quando dá mudança, - eu viro caos. Eu pasmo, - nem me surpreendo. Reviro olhos, - adoro tuas expressões. E te soco a cara, - seu panaca! Na mente, - me dá um beijo. Tu mente, - é necessário. Que é até logo, - ou nunca mais. E nunca mais, - não saberemos amanhã. Vira uma esquina, - e o petróleo queima. E ao vencedor, - o melhor troféu. De rimas, - toca mais uma canção. No meio do teu olho, - vejo tudo ao contrário. Olho, - tu fecha os olhos ao cantar. E não tem mais, - acabou minha playlist. Linhas, - tu sorriu? E não tem mais, - comeu tudo. Perdas, - foram precisas. Só resta temores, - tu me arrepia. Um só, - mais um só. Temo, - será mesmo um só? Que o vencedor, - em uma briga de egos, são feridos nós dois. Dois ganhadores de coisa mais linda, chamado a... Mor.