Eu te experimentei. Me alertaram: cuidado! Uma peça quebrável, eu respirei bem pertinho do seu corpo. Uma peça quebradiça, não deve viver em mãos desastradas. Cuidado, novamente, diziam... e eu meio solta, meio leve e meio louca, dancei a valsa dos fúnebres dos sentidos. Congelei meu pesar, levantei a cabeça e segui pela noite, buscando o luar. Que bela noite, seria cinza, chuvoso, mas só há um vazio na sala: dois pares de olhos que se encaram, refletidos. Não sei meu valor, pois busquei na praça errada. Busquei então as dores: uma dose de tequila e outra de whiskey. Não quero a dor se não da ressaca, pois a cabeça flutua por todo o dia. E mesmo que não chova ou seja cinza, eu ficarei embriagada, pelo resto do mundo. E não, sem alcoolismo, às vezes as palavras me embebedam por si só. E imagino, que mundo colorido, aqui, apenas aqui, não me sinto só. E só sigo, por opção? Sim e não. Um produto tão frágil, tão magoado, tão quebrado, tão deixado em poeiras por anos... será que ainda funciona? Me disseram uma vez, cuidado, menina, teus olhos de pitanga serão um dia cobiçados, mas por vezes, os olhos dos outros não te bastarão... e quando isso ocorrer, cuidado, menina, pois estará exigente, e o mundo, não foi feito para isso, o mundo foi e é, feito para o que te procura. E ainda ela completou, cuidado olhos de pitanga, pois se te apegares, ele foge, se te prender a si mesma, se acabará. Busque, criança, o teu sorriso e jamais esqueça... que o que é teu, sempre vem, mesmo que doa, mesmo que ao dar, não recebas. E ela fechou a porta. E eu lembro dela partindo... como a borboleta que me veio visitar, como o sopro que senti do vento, naquele meio-dia, de dia de sol, e que no fundo, tudo era cinza, pois o espírito dela havia ido. E eu senti. E eu sabia, que aquela borboleta que me veio, era sua despedida simples: me observe, mas nunca me tenhas, apenas me lembre, como todas as cores que posso ter hoje. E deixe-me ir, pois estarei feliz sabendo que tu aprendeu o que precisas de mim, e tu estará pronta, um dia, a ser leve, livre e colorida, mesmo nos dias cinzas que se fantasiam com cores e tempos de sol.
Me sinto mal, por todos os momentos dos quais te evito, aqui e acolá. Eu não te leio mais. Eu nem mesmo sei quando deveria estar fazendo algo… menos do meu trabalho. Tem sido demais. Muitos amigos foram jantar fora. Eu permaneci. Calada, fronte a tua porta, querendo te ver. Querendo te ter. E tu comeu mundos. Mandou. Mudou. E fui. E nem mais sei o que resta desse espaço virtualístico. Uma esperança?
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