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Azeda

H. caminhava pela rua. Uma rua movimentada, como sendo a principal de uma cidade interiorana. Uma rua com asfalto e mato. Aquele mix genial de civilização em evolução ou involução, conforme tua preferência antropológica. H. foi como de costume pela beira, caminhando com seu sorvete de flocos, pois sorvete de flocos é o melhor. Não questione, é o gosto de H. ela sabe do que ela gosta. E do que ela quer, por isso mesmo, querendo descobrir o que queria para 2022, H. olhava a lua crescente. Passa por um beco, de uma loja de produtos de construção, se assusta ao ver um rapaz, com a mão no local genital, que a olha e grita palavras vulgares. Ela, assustada, corre, sente um medo instintivo, aquilo que mais teme, que já foi recorrente, que a atormenta... não, não, ela pensa, não vai acontecer isso. Estou segura, é iluminado, é cheio de movimento. Tem câmeras por todos os lados. Ela já estava se acalmando, andando rápido na rodovia, quase na rua, entre a calçada... quando é pega por trás. Um apertão na sua bunda. Mais frases grotescas. Ela grita. Xinga. E mais uma vez, não é ouvida. H. é impotente. Tenta 190. Nada. 191 é rodovia. Não tinha atendimento a assédio. Cidade interiorana. A polícia passa logo a seguir, e ela pensa uma cena de ela sendo ridicularizada por homens de farda. "esta hora nem deveria estar na rua", "mulher não anda sozinha na rua na noite" "um apertinho não é estupro". E nem cogitou fazer um sinal para eles. Não confiava em homens. Em fardas, muito menos. E o gatilho das feridas se abriram: ela se tornava mais uma vez, azeda.

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Atrasado

Ele estava tomado por aquele olhar de rato molhado, na chuva, no escuro. Ele estava corrompido pelas mentiras, pelos brilhos de suas linhas refinadas. Ele era uma pessoa esquisita corrompida pelo olhar terceiro. De um canto, sua voz rouca sumia no ar. Ele, nervoso, ficava suspenso nesse ar. Escondia seu rosto. E foi assim que descobri sua fraqueza. Ele era a falha primeira. E de falhas se sustentava, para perfeição seguir seu cortejo, ele se mutilava. E quando as calças compridas caiam de sua estatura, ele as vestia. E o sentido ficava atordoado, era ele e seus dentes brancos, sua voz rouca, alto e minúsculo, mas alto, ele corria e vestia outras roupas, mas nada nada servia. Ele, usando o buné de terceiros, roubado pelo lado esquerdo pela mão de um agressor, deixado no chão de um acidente envolvendo uma arma. O caos das palavras, estava a me perder, e penso, hoje. Na minha cabeça, não há nada que me leve a voltar um único segundo.

O vencedor Mor

Eu te odeio, - sua dramática. Pois te amo, - seu falsiano. E te odeio, - mentiroso. Te amando, - vai ficando. Quando dá mudança, - eu viro caos. Eu pasmo, - nem me surpreendo. Reviro olhos, - adoro tuas expressões. E te soco a cara, - seu panaca! Na mente, - me dá um beijo. Tu mente, - é necessário. Que é até logo, - ou nunca mais. E nunca mais, - não saberemos amanhã. Vira uma esquina, - e o petróleo queima. E ao vencedor, - o melhor troféu. De rimas, - toca mais uma canção. No meio do teu olho, - vejo tudo ao contrário. Olho, - tu fecha os olhos ao cantar. E não tem mais, - acabou minha playlist. Linhas, - tu sorriu? E não tem mais, - comeu tudo. Perdas, - foram precisas. Só resta temores, - tu me arrepia. Um só, - mais um só. Temo, - será mesmo um só? Que o vencedor, - em uma briga de egos, são feridos nós dois. Dois ganhadores de coisa mais linda, chamado a... Mor.