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Bota vermelha

Um vinho, duas taças e um alerta no celular: "não esquecer de gastar o tempo com mentiras convincentes". Ela olhou a tela reluzente e sentiu-se como uma popstar: notificações feitas para agradar o ego. E quando a noite chegou, ela sentou na beira da cama, colocou a meia-calça preta, sentindo a pele recém hidratada e, demoradamente, se vestiu. Olhou no espelho o zíper se fechar. Vestido apertado, delineando o corpo. Os cílios ficou exuberante, como uma samambaia. Então, após perceber que estava treze minutos atrasada, pegou sua revista de Peixes Mortos, consultou algumas táticas para atrair o seu próximo Peixe Morto. Bota vermelha, unhas afiadas. Pronta para a guerra. Foi parar numa calçada movimentada algumas quadras depois do Uber a deixar na esquina do prédio Elefante. Ficou rodando sua bolsa, pequena, olhando para as caminhonetes que passavam. Cada qual maior que a anterior. Homens passavam devagar. Mulheres viravam o rosto, como a etiqueta de rivalidade demanda. Finalmente encontrou a Ferrari preta. O rapaz de vinte e tantos anos baixou o vidro e (convenhamos, o desnecessário óculos escuro) falou com sua voz rouca: 

- Hoje tu vai dançar, nenê.

Ela riu, empolgada, finalmente!

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Se fora

Me sinto mal, por todos os momentos dos quais te evito, aqui e acolá. Eu não te leio mais. Eu nem mesmo sei quando deveria estar fazendo algo… menos do meu trabalho. Tem sido demais. Muitos amigos foram jantar fora. Eu permaneci. Calada, fronte a tua porta, querendo te ver. Querendo te ter. E tu comeu mundos. Mandou. Mudou. E fui. E nem mais sei o que resta desse espaço virtualístico. Uma esperança?

Atrasado

Ele estava tomado por aquele olhar de rato molhado, na chuva, no escuro. Ele estava corrompido pelas mentiras, pelos brilhos de suas linhas refinadas. Ele era uma pessoa esquisita corrompida pelo olhar terceiro. De um canto, sua voz rouca sumia no ar. Ele, nervoso, ficava suspenso nesse ar. Escondia seu rosto. E foi assim que descobri sua fraqueza. Ele era a falha primeira. E de falhas se sustentava, para perfeição seguir seu cortejo, ele se mutilava. E quando as calças compridas caiam de sua estatura, ele as vestia. E o sentido ficava atordoado, era ele e seus dentes brancos, sua voz rouca, alto e minúsculo, mas alto, ele corria e vestia outras roupas, mas nada nada servia. Ele, usando o buné de terceiros, roubado pelo lado esquerdo pela mão de um agressor, deixado no chão de um acidente envolvendo uma arma. O caos das palavras, estava a me perder, e penso, hoje. Na minha cabeça, não há nada que me leve a voltar um único segundo.

O vencedor Mor

Eu te odeio, - sua dramática. Pois te amo, - seu falsiano. E te odeio, - mentiroso. Te amando, - vai ficando. Quando dá mudança, - eu viro caos. Eu pasmo, - nem me surpreendo. Reviro olhos, - adoro tuas expressões. E te soco a cara, - seu panaca! Na mente, - me dá um beijo. Tu mente, - é necessário. Que é até logo, - ou nunca mais. E nunca mais, - não saberemos amanhã. Vira uma esquina, - e o petróleo queima. E ao vencedor, - o melhor troféu. De rimas, - toca mais uma canção. No meio do teu olho, - vejo tudo ao contrário. Olho, - tu fecha os olhos ao cantar. E não tem mais, - acabou minha playlist. Linhas, - tu sorriu? E não tem mais, - comeu tudo. Perdas, - foram precisas. Só resta temores, - tu me arrepia. Um só, - mais um só. Temo, - será mesmo um só? Que o vencedor, - em uma briga de egos, são feridos nós dois. Dois ganhadores de coisa mais linda, chamado a... Mor.