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Você vai me contar?

Você me pergunta se eu sei a resposta. Não sei, mas abro a boca e dou um leve sorriso, esguio, na sua direção. Eu não causo barulho, com receio de te acordar, só observo seu olhar tranquilo e pesado, dormindo sem noção de que o que escondo é pesado até para um pesadelo. Eu vou quebrar teu coração, pois eu já estou no processo de quebrar o meu próprio. E te olho, com sinceridade e curiosidade, o que fazemos aqui? E me encaro no teu olho, nada, nada não... E penso que se eu contasse o que escondo, seria como rasgar a malha de um universo paralelo: desconhecidos seres entrariam, e no silêncio do teu olhar, eu descobriria todos os monstros que carregamos juntos, lado a lado, marchando a valsa de cacos quebrados sob pés ensanguentados. E você vai me contar quando acordar? Quantos corpos se acumularam ao teu lado? Quantas noites de ódio teve? Quantos pesos tu finge não ter? Quantos pesos alheios tu ainda carrega? Até quando vamos fingir? Até quando o mundo girará? O que nos faz ficar próximos e distantes? Por qual motivo preciso explicar? Quantas perguntas quero te fazer? O que acontece com teu sorriso quando encontrar uma lágrima junto dele?

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Se fora

Me sinto mal, por todos os momentos dos quais te evito, aqui e acolá. Eu não te leio mais. Eu nem mesmo sei quando deveria estar fazendo algo… menos do meu trabalho. Tem sido demais. Muitos amigos foram jantar fora. Eu permaneci. Calada, fronte a tua porta, querendo te ver. Querendo te ter. E tu comeu mundos. Mandou. Mudou. E fui. E nem mais sei o que resta desse espaço virtualístico. Uma esperança?

Atrasado

Ele estava tomado por aquele olhar de rato molhado, na chuva, no escuro. Ele estava corrompido pelas mentiras, pelos brilhos de suas linhas refinadas. Ele era uma pessoa esquisita corrompida pelo olhar terceiro. De um canto, sua voz rouca sumia no ar. Ele, nervoso, ficava suspenso nesse ar. Escondia seu rosto. E foi assim que descobri sua fraqueza. Ele era a falha primeira. E de falhas se sustentava, para perfeição seguir seu cortejo, ele se mutilava. E quando as calças compridas caiam de sua estatura, ele as vestia. E o sentido ficava atordoado, era ele e seus dentes brancos, sua voz rouca, alto e minúsculo, mas alto, ele corria e vestia outras roupas, mas nada nada servia. Ele, usando o buné de terceiros, roubado pelo lado esquerdo pela mão de um agressor, deixado no chão de um acidente envolvendo uma arma. O caos das palavras, estava a me perder, e penso, hoje. Na minha cabeça, não há nada que me leve a voltar um único segundo.

O vencedor Mor

Eu te odeio, - sua dramática. Pois te amo, - seu falsiano. E te odeio, - mentiroso. Te amando, - vai ficando. Quando dá mudança, - eu viro caos. Eu pasmo, - nem me surpreendo. Reviro olhos, - adoro tuas expressões. E te soco a cara, - seu panaca! Na mente, - me dá um beijo. Tu mente, - é necessário. Que é até logo, - ou nunca mais. E nunca mais, - não saberemos amanhã. Vira uma esquina, - e o petróleo queima. E ao vencedor, - o melhor troféu. De rimas, - toca mais uma canção. No meio do teu olho, - vejo tudo ao contrário. Olho, - tu fecha os olhos ao cantar. E não tem mais, - acabou minha playlist. Linhas, - tu sorriu? E não tem mais, - comeu tudo. Perdas, - foram precisas. Só resta temores, - tu me arrepia. Um só, - mais um só. Temo, - será mesmo um só? Que o vencedor, - em uma briga de egos, são feridos nós dois. Dois ganhadores de coisa mais linda, chamado a... Mor.