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Colecionadora

Hoje ela se olhou no espelho com aqueles olhos avermelhados, não de choro, nem de noites mal dormidas, apenas os olhos com a coloração natural, castanhos avermelhados de sol. Um ínfimo segundo passou quando percebeu onde estava: presa num tempo que acabava e retornava ao inicial. O ciclo repetitivo do saber e do desaprender. As amarras a prendiam e a libertavam e tudo retornava ao lugar. Ela caminhava enquanto ouvia os sons de vozes distantes. E se ouvia representada: não deixe eles te apertarem demais. E seu coração enchia de raiva por saber que teria que pôr mais uma pedra rolar nesse jogo de interesses. Ela dava seus passos pequenos com imensa intenção. Se deixar atrás e nunca mais retornar ao local inicial. Era sabido que isso é impossível. Maneira ou outra tu retorna ao útero e ao cerne das questões levantadas, seja na mesa de bar e seja com pessoas virtuais, distantes. A distância, algo comum e incomum. Ela se mantinha distante de tudo agora. Recolhida na sua bolha protetora. Recolhida com sua toalha azul. Recolhida para se abraçar nesse céu que inventa. Recolhida em palavras que desenha num tempo de instantaneidade e jogos de interesses e fingimentos de eternidades fluídas. Ficava nua após o banho. E deixava a água secar o corpo. E as lágrimas continham o peso do adeus, do nunca mais ou do até logo. Era incerto. Era certo que foi necessário um ponto. Uma pedra a mais para lidar. Uma pedra colecionável dos seus momentos. Dos melhores aos piores. E o peso de se escolher primeiro era um fardo que ela colecionava com orgulho e com certo tédio. Repetidas vezes dar adeus fora necessário. Repetidas vezes se escolher primeiro. Repetir as palavras e ver nos olhos em fronte, o vermelho que brotava.

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Atrasado

Ele estava tomado por aquele olhar de rato molhado, na chuva, no escuro. Ele estava corrompido pelas mentiras, pelos brilhos de suas linhas refinadas. Ele era uma pessoa esquisita corrompida pelo olhar terceiro. De um canto, sua voz rouca sumia no ar. Ele, nervoso, ficava suspenso nesse ar. Escondia seu rosto. E foi assim que descobri sua fraqueza. Ele era a falha primeira. E de falhas se sustentava, para perfeição seguir seu cortejo, ele se mutilava. E quando as calças compridas caiam de sua estatura, ele as vestia. E o sentido ficava atordoado, era ele e seus dentes brancos, sua voz rouca, alto e minúsculo, mas alto, ele corria e vestia outras roupas, mas nada nada servia. Ele, usando o buné de terceiros, roubado pelo lado esquerdo pela mão de um agressor, deixado no chão de um acidente envolvendo uma arma. O caos das palavras, estava a me perder, e penso, hoje. Na minha cabeça, não há nada que me leve a voltar um único segundo.

O vencedor Mor

Eu te odeio, - sua dramática. Pois te amo, - seu falsiano. E te odeio, - mentiroso. Te amando, - vai ficando. Quando dá mudança, - eu viro caos. Eu pasmo, - nem me surpreendo. Reviro olhos, - adoro tuas expressões. E te soco a cara, - seu panaca! Na mente, - me dá um beijo. Tu mente, - é necessário. Que é até logo, - ou nunca mais. E nunca mais, - não saberemos amanhã. Vira uma esquina, - e o petróleo queima. E ao vencedor, - o melhor troféu. De rimas, - toca mais uma canção. No meio do teu olho, - vejo tudo ao contrário. Olho, - tu fecha os olhos ao cantar. E não tem mais, - acabou minha playlist. Linhas, - tu sorriu? E não tem mais, - comeu tudo. Perdas, - foram precisas. Só resta temores, - tu me arrepia. Um só, - mais um só. Temo, - será mesmo um só? Que o vencedor, - em uma briga de egos, são feridos nós dois. Dois ganhadores de coisa mais linda, chamado a... Mor.