Enquanto te aguardo, faço um balão, pinto ele colorido na mão. Ele voa na minha palma, onde ela for ele está. Passeio com ele, o balão, pelos cômodos vazios. Enquanto te aguardo, tudo vazio, fico plantando rosas pela casa, pintadas nas paredes. Elas criam espinhos, elas criam botões, elas ficam coloridas e cada pétala esboça a cor que quer. A casa vai ficando viva, enquanto te aguardo. Enquanto te aguardo guardo as roupas coloridas pelas manchas das tintas. Coloco nas malas alguns pincéis, enquanto te aguardo, vou vendo as fotos que vou pintar contigo. Enquanto tu não chega eu me basto, quieta num laço colorido disforme e assoprado pelo vento que vem vindo, das gotas que caem. Enquanto te aguardo e tu não chega. Não chega e não basta. Nada de cores será suficiente pra hoje a noite. Hoje a noite enquanto te aguardo pelo resto dos dias. Eu cheguei atrasada. Enquanto tu me aguardava...
Me sinto mal, por todos os momentos dos quais te evito, aqui e acolá. Eu não te leio mais. Eu nem mesmo sei quando deveria estar fazendo algo… menos do meu trabalho. Tem sido demais. Muitos amigos foram jantar fora. Eu permaneci. Calada, fronte a tua porta, querendo te ver. Querendo te ter. E tu comeu mundos. Mandou. Mudou. E fui. E nem mais sei o que resta desse espaço virtualístico. Uma esperança?
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