Um senhor uma vez me encontrou na rua e disse que eu parecia o amor de sua vida. Ele me contou de todos os detalhes daquela aventura. Contou-me como a conheceu, como ela o indagava, como ele foi ficando cada dia mais apaixonado pelas suas atitudes, jeitos e caráter. Um dia, disse ele, eu abri a porta da minha garagem, encontrei um pequeno bilhete enrolado junto ao capacho e nele estava escrito que ela não voltaria mais. Havia terminado subitamente o amor dos dois, dizia o bilhete. Subitamente, sem prévio aviso. Assim, continuou o senhor, me dei conta que eu estava cada dia mais distante dela e que por mais que ela se fizesse presente, não a notava. Além disso tudo, o recado ainda informava que os prazos da vida adulta não se aplicavam nela, pois ela era eterna criança. Não se aplica um depois. Depois marcamos um cinema. Depois marcamos um chimarrão. Depois iremos na redenção. Depois iremos dar as mãos. Depois todos saberão. Depois os bois arrumam as melancias na carroça. Eu o encarei então, chocada com a lembrança que pareceu amarga. Identifiquei-me com sua história. Peguei as mãos enrugadas do senhor e fomos passear na redenção, enquanto ele contava a história de nossas vidas.
Me sinto mal, por todos os momentos dos quais te evito, aqui e acolá. Eu não te leio mais. Eu nem mesmo sei quando deveria estar fazendo algo… menos do meu trabalho. Tem sido demais. Muitos amigos foram jantar fora. Eu permaneci. Calada, fronte a tua porta, querendo te ver. Querendo te ter. E tu comeu mundos. Mandou. Mudou. E fui. E nem mais sei o que resta desse espaço virtualístico. Uma esperança?
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