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Sem prévio aviso

Um senhor uma vez me encontrou na rua e disse que eu parecia o amor de sua vida. Ele me contou de todos os detalhes daquela aventura. Contou-me como a conheceu, como ela o indagava, como ele foi ficando cada dia mais apaixonado pelas suas atitudes, jeitos e caráter. Um dia, disse ele, eu abri a porta da minha garagem, encontrei um pequeno bilhete enrolado junto ao capacho e nele estava escrito que ela não voltaria mais. Havia terminado subitamente o amor dos dois, dizia o bilhete. Subitamente, sem prévio aviso. Assim, continuou o senhor, me dei conta que eu estava cada dia mais distante dela e que por mais que ela se fizesse presente, não a notava. Além disso tudo, o recado ainda informava que os prazos da vida adulta não se aplicavam nela, pois ela era eterna criança. Não se aplica um depois. Depois marcamos um cinema. Depois marcamos um chimarrão. Depois iremos na redenção. Depois iremos dar as mãos. Depois todos saberão. Depois os bois arrumam as melancias na carroça. Eu o encarei então, chocada com a lembrança que pareceu amarga. Identifiquei-me com sua história. Peguei as mãos enrugadas do senhor e fomos passear na redenção, enquanto ele contava a história de nossas vidas.

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Se fora

Me sinto mal, por todos os momentos dos quais te evito, aqui e acolá. Eu não te leio mais. Eu nem mesmo sei quando deveria estar fazendo algo… menos do meu trabalho. Tem sido demais. Muitos amigos foram jantar fora. Eu permaneci. Calada, fronte a tua porta, querendo te ver. Querendo te ter. E tu comeu mundos. Mandou. Mudou. E fui. E nem mais sei o que resta desse espaço virtualístico. Uma esperança?

Atrasado

Ele estava tomado por aquele olhar de rato molhado, na chuva, no escuro. Ele estava corrompido pelas mentiras, pelos brilhos de suas linhas refinadas. Ele era uma pessoa esquisita corrompida pelo olhar terceiro. De um canto, sua voz rouca sumia no ar. Ele, nervoso, ficava suspenso nesse ar. Escondia seu rosto. E foi assim que descobri sua fraqueza. Ele era a falha primeira. E de falhas se sustentava, para perfeição seguir seu cortejo, ele se mutilava. E quando as calças compridas caiam de sua estatura, ele as vestia. E o sentido ficava atordoado, era ele e seus dentes brancos, sua voz rouca, alto e minúsculo, mas alto, ele corria e vestia outras roupas, mas nada nada servia. Ele, usando o buné de terceiros, roubado pelo lado esquerdo pela mão de um agressor, deixado no chão de um acidente envolvendo uma arma. O caos das palavras, estava a me perder, e penso, hoje. Na minha cabeça, não há nada que me leve a voltar um único segundo.

O vencedor Mor

Eu te odeio, - sua dramática. Pois te amo, - seu falsiano. E te odeio, - mentiroso. Te amando, - vai ficando. Quando dá mudança, - eu viro caos. Eu pasmo, - nem me surpreendo. Reviro olhos, - adoro tuas expressões. E te soco a cara, - seu panaca! Na mente, - me dá um beijo. Tu mente, - é necessário. Que é até logo, - ou nunca mais. E nunca mais, - não saberemos amanhã. Vira uma esquina, - e o petróleo queima. E ao vencedor, - o melhor troféu. De rimas, - toca mais uma canção. No meio do teu olho, - vejo tudo ao contrário. Olho, - tu fecha os olhos ao cantar. E não tem mais, - acabou minha playlist. Linhas, - tu sorriu? E não tem mais, - comeu tudo. Perdas, - foram precisas. Só resta temores, - tu me arrepia. Um só, - mais um só. Temo, - será mesmo um só? Que o vencedor, - em uma briga de egos, são feridos nós dois. Dois ganhadores de coisa mais linda, chamado a... Mor.