Estou caindo na morte. A morte deixa-se enrolar no meu manto. Negro, branco e colorido manto, quente e frio pranto. Foram centenas de mortos. Foram tantos espantos. E ninguém liga, nem se liga e nem liga pra alguém. Tanto gás e já não olho mais. Muitas lágrimas por isso. Esse gás, esse gás que adentra as pálpebras. Era só uma faísca me disseste o Senhor. Agora, em fogaréu, a estrada incendeia em luzes que machucam. Todas lembram-me que tu nunca mais estará aqui do lado. Escolhas, escolhas. O vulto escuro clama seu espaço. E o Senhor aconchega suas desculpas próximo da partida a vir. A morte, que carrega suas ações, espalha nas mãos lisas a culpa do que fez. O que recebeu, o Senhor se livra, pro bem ou pro mal, é ileso dos seus próprios erros e se satisfaz sendo o destruídor de todos eles. Senhor, Senhor, clamei eu a morte, me vieste sem tempo, me vieste sem desejo, me recebeste sem olhar, me recebeste sem perceber. Grande vazio deixa, quando a morte chega e tudo queima em ilusão. Obrigado, Senhor, por chegar e não bastar.
Me sinto mal, por todos os momentos dos quais te evito, aqui e acolá. Eu não te leio mais. Eu nem mesmo sei quando deveria estar fazendo algo… menos do meu trabalho. Tem sido demais. Muitos amigos foram jantar fora. Eu permaneci. Calada, fronte a tua porta, querendo te ver. Querendo te ter. E tu comeu mundos. Mandou. Mudou. E fui. E nem mais sei o que resta desse espaço virtualístico. Uma esperança?
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