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Ela, foi-se

Não estou disponível: vagou nenhum espaço entre os laços que desfiz. Sobrou somente os rascunhos inacabados dos planos e trajetos que foram esquecidos no silêncio da tua noite eternamente escura. Não, não é frio lá, mas é sombrio. E agora, depois de seis horas do ocorrido, não estou disponível para mais uma trilha. Mais uma, última, talvez? Não, não, não consigo... Só consigo a sororidade, que cansada, tenta ainda florescer para elas. E, com perfume de alecrim, saboreio o que os campos verdes ainda me dão: um lugar calmo, pouco antes do verão, mas não no furor da primavera. Um meio termo que me persegue, entre o passado e futuro, em um presente não aberto por enquanto.

Lê o bilhete, relê o bilhete. O trêm partirá amanhã as 21h. 

- A bagagem está pesada?

- Sim, mas consigo carregar.

- Eu te ajudo, me dê aqui.

- Não obrigada, preciso carregar meus pesos.

- Tu não precisa seguir assim... sabe, algumas pessoas ainda estão dispostas para te ajudar.

- Eu sei, mas eu não estou mais disponível. Veja: me escrevi uma carta para relembrar sempre que necessário.

Ele leu a carta. Continha todas coisas que um dia foram parar no lixo. 

- Que desperdício de tempo! Disse ele, sem entender nada.

- Eu sei, eu quem perdi mais, pois também me perdi no processo.

- Vem cá...

Não! Ainda não estava pronta, ao ele tocar seu braço, de leve, toda dor física acumulou-se numa grande explosão, foi assim que ela acabou aquela vida e, enfim, explodiu-se. 

- Não era minha intenção... - Ele, triste, disse para a escuridão que ainda possuía para o escutar.

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