Era uma imagem para congelar: a chuva batia suavemente nas flores do inverno, essas mesmas, que estavam iluminadas por um clarão amarelado. Postes de luz retrô enfeitavam a paisagem, mesclando-se com madeira recém pintada e o verde que segurava erosões do rio que corria logo atrás. Com outros olhos, de outros olhos, em outros tempos, a imagem seria assemelhada a um filme de terror, mas não nessa noite. Aquela noite ela percorria a calçada com passos largos e um capuz por sobre a cabeça até que as gotas não estavam mais somente no chão, mas na sua alma, cada gota batia por sobre ela e a fazia sentir por todo seu corpo a sensação mais prazerosa que a nutria. A purificação do ser vem nos momentos que menos esperamos, foi do momento que ela se deu conta da vida que sentia dentro de si, e como um êxtase, viu-se para além dos passos e das pegadas úmidas: ela se viu flutuar na própria intensidade que carregava. A sensação de flutuação com um momento era uma das raras coisas que a faziam sentir-se novamente dentro de sua sanidade, essa mesma que há muito parecia ter se ido...
Me sinto mal, por todos os momentos dos quais te evito, aqui e acolá. Eu não te leio mais. Eu nem mesmo sei quando deveria estar fazendo algo… menos do meu trabalho. Tem sido demais. Muitos amigos foram jantar fora. Eu permaneci. Calada, fronte a tua porta, querendo te ver. Querendo te ter. E tu comeu mundos. Mandou. Mudou. E fui. E nem mais sei o que resta desse espaço virtualístico. Uma esperança?
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