Um azul profundo. Um joelho colorido e dois olhos machucados e roxos. O precipício ao meu lado e o gramado verde se estendendo por uma vastidão pedregosa e escura. Se olhava por um, apenas a neblina e o azul. Se olhava o outro, terra e verde disfarçado de montanhas. Onde estavam essas pedras? Onde estavam os arremessos que nos damos? Eu escondi atrás daquela porta, através da toalha negra e do animal assassinado no teu quarto. Um bicho ruía nossas almas e tudo estava acabado. Assustava-me à noite, quando os sons do além me diziam, fuja, tem algo errado! E fui ficando e me deixando ir como um ar que passa... mas o passar virou tormenta, virou ventos que nem a meteorologia seria capaz de captar. Você lia dados e eu rolava os meus. E cada vez que eu tentava usar um paraquedas, você dizia, não precisa, vamos nos bastar, não é você, sou eu. E eu dizia, sou eu. E você. E você e eu. E num experimento de uma dança nunca realmente equilibrada, minhas metades nunca bastavam e tuas confusões me prendiam. E como um vento que cansa de bater por um só lado, chega o vendaval e me eleva para o além. Subo naquele Lugar Algum e me atiro. Só há um precipício. Eu logo de início sei que será a pior das minhas quedas. Eu senti isso desde o começo, pois mesmo não estando certa do que viria, já sentia, como sensitiva que sou, que alguma luz vermelha piscava. Mas as luzes não iriam adiantar, pois no meio de uma flutuação, o precipício parece apenas uma doce aventura.
Me sinto mal, por todos os momentos dos quais te evito, aqui e acolá. Eu não te leio mais. Eu nem mesmo sei quando deveria estar fazendo algo… menos do meu trabalho. Tem sido demais. Muitos amigos foram jantar fora. Eu permaneci. Calada, fronte a tua porta, querendo te ver. Querendo te ter. E tu comeu mundos. Mandou. Mudou. E fui. E nem mais sei o que resta desse espaço virtualístico. Uma esperança?
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