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Amoras

Te pediria desculpas, não fosse meu ódio pela humilhação. Te pediria desculpas, não fosse o afetamento que tu manipulou dentro do meu coração. Te pediria sim, não fosse meu costume de agora em diante prezar a leveza e o espírito do louco. Preciso pedir desculpas sim, por mim, por ter eu me deixado de lado. Foi ontem mesmo, naquela esquina de abacates, que vi por último uma possível entrada, apertada, cheia de itens a serem descartados e, pediria desculpas, não fosse minhas preferências agora por amoras. Amoras que me deixam o lábio ardente de desejo, amoras que unem-se para manchar meus dedos. Leveza de frutos que são pretos e são também púrpura, misturam-se cores e lembram-me do azul do céu... Ah... amor era de Às, o primeiro, como a carta diz, mas a mais alta, se assim preferires. Amoras murchas secam pelo chão, apodrecem e alimentam o pequeno pássaro que passeia nos jardins. Te contei? Agora possuo um jardim suspenso, eterno, dentro de mim... não carrego os ódios, nem mais cultivo as dores... Os amores que me deixaram, agradeço por terem passado, mas as amoras, essas, não deixo de lembrá-las, pois elas que me trazem doçura e desejos por novos sabores a serem descobertos. Espero que logo teus olhos de céu me contemplem, me admirem e anseiem por me devorar, pois de céus mudos e cinzas, posso viver... mas não mais perpetuar essas raízes leves, que precisam do ar para voar.

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Se fora

Me sinto mal, por todos os momentos dos quais te evito, aqui e acolá. Eu não te leio mais. Eu nem mesmo sei quando deveria estar fazendo algo… menos do meu trabalho. Tem sido demais. Muitos amigos foram jantar fora. Eu permaneci. Calada, fronte a tua porta, querendo te ver. Querendo te ter. E tu comeu mundos. Mandou. Mudou. E fui. E nem mais sei o que resta desse espaço virtualístico. Uma esperança?

Atrasado

Ele estava tomado por aquele olhar de rato molhado, na chuva, no escuro. Ele estava corrompido pelas mentiras, pelos brilhos de suas linhas refinadas. Ele era uma pessoa esquisita corrompida pelo olhar terceiro. De um canto, sua voz rouca sumia no ar. Ele, nervoso, ficava suspenso nesse ar. Escondia seu rosto. E foi assim que descobri sua fraqueza. Ele era a falha primeira. E de falhas se sustentava, para perfeição seguir seu cortejo, ele se mutilava. E quando as calças compridas caiam de sua estatura, ele as vestia. E o sentido ficava atordoado, era ele e seus dentes brancos, sua voz rouca, alto e minúsculo, mas alto, ele corria e vestia outras roupas, mas nada nada servia. Ele, usando o buné de terceiros, roubado pelo lado esquerdo pela mão de um agressor, deixado no chão de um acidente envolvendo uma arma. O caos das palavras, estava a me perder, e penso, hoje. Na minha cabeça, não há nada que me leve a voltar um único segundo.

O vencedor Mor

Eu te odeio, - sua dramática. Pois te amo, - seu falsiano. E te odeio, - mentiroso. Te amando, - vai ficando. Quando dá mudança, - eu viro caos. Eu pasmo, - nem me surpreendo. Reviro olhos, - adoro tuas expressões. E te soco a cara, - seu panaca! Na mente, - me dá um beijo. Tu mente, - é necessário. Que é até logo, - ou nunca mais. E nunca mais, - não saberemos amanhã. Vira uma esquina, - e o petróleo queima. E ao vencedor, - o melhor troféu. De rimas, - toca mais uma canção. No meio do teu olho, - vejo tudo ao contrário. Olho, - tu fecha os olhos ao cantar. E não tem mais, - acabou minha playlist. Linhas, - tu sorriu? E não tem mais, - comeu tudo. Perdas, - foram precisas. Só resta temores, - tu me arrepia. Um só, - mais um só. Temo, - será mesmo um só? Que o vencedor, - em uma briga de egos, são feridos nós dois. Dois ganhadores de coisa mais linda, chamado a... Mor.