Te pediria desculpas, não fosse meu ódio pela humilhação. Te pediria desculpas, não fosse o afetamento que tu manipulou dentro do meu coração. Te pediria sim, não fosse meu costume de agora em diante prezar a leveza e o espírito do louco. Preciso pedir desculpas sim, por mim, por ter eu me deixado de lado. Foi ontem mesmo, naquela esquina de abacates, que vi por último uma possível entrada, apertada, cheia de itens a serem descartados e, pediria desculpas, não fosse minhas preferências agora por amoras. Amoras que me deixam o lábio ardente de desejo, amoras que unem-se para manchar meus dedos. Leveza de frutos que são pretos e são também púrpura, misturam-se cores e lembram-me do azul do céu... Ah... amor era de Às, o primeiro, como a carta diz, mas a mais alta, se assim preferires. Amoras murchas secam pelo chão, apodrecem e alimentam o pequeno pássaro que passeia nos jardins. Te contei? Agora possuo um jardim suspenso, eterno, dentro de mim... não carrego os ódios, nem mais cultivo as dores... Os amores que me deixaram, agradeço por terem passado, mas as amoras, essas, não deixo de lembrá-las, pois elas que me trazem doçura e desejos por novos sabores a serem descobertos. Espero que logo teus olhos de céu me contemplem, me admirem e anseiem por me devorar, pois de céus mudos e cinzas, posso viver... mas não mais perpetuar essas raízes leves, que precisam do ar para voar.
Me sinto mal, por todos os momentos dos quais te evito, aqui e acolá. Eu não te leio mais. Eu nem mesmo sei quando deveria estar fazendo algo… menos do meu trabalho. Tem sido demais. Muitos amigos foram jantar fora. Eu permaneci. Calada, fronte a tua porta, querendo te ver. Querendo te ter. E tu comeu mundos. Mandou. Mudou. E fui. E nem mais sei o que resta desse espaço virtualístico. Uma esperança?
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