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A foto desgastada

O acaso, destes que não eram muito corriqueiros, pois nenhum acaso o acaba sendo, ele chega quando tu não está olhando, e todos olhos e todos te encaram e por um momento tu paralisa o pensamento: este acaso, e este mesmo acaso que ontem foi um momento único, é isso mesmo que eu quero? Pois eu sinceramente ainda não sei se é de fato isso que eu quero. E nem a Vera e nem a Loca conseguiria me distrair para entender como é a vida. Tudo  que eu escrevi ontem foi uma bobeira, dessas que nos deslumbram por imaginar demais. Me disseram, tu imagina demais. Me disseram, tu é impulsiva. Me disseram, tu gosta de controlar, e me disseram, que está tudo bem. Minto. Nunca me disseram que está tudo bem, essa é a conversa interna que faço para aliviar o fracasso de relações. Das minhas relações comigo mesma. E caso tu desapega, tu não se aproxima, caso tu se apega, tu cai do precipício. Qual deles... um, dois três. Um... dois... três. E gira. Uma música no pé do ouvido. Um e dois... e três. Gira. E ah, eu apenas desci ao inferno. Não tem graça, não fala isso. Tenho certeza, tu tem certeza, ou quase plena certeza que eu mostro apenas uma parte ínfima do quanto eu gosto de ti. E amo quando te ignoro. Pois é o momento que mais foco em mim. E eu me amo tanto. E hoje teus olhos azuis não me encaram mais. Olhos. Quantas colorações já vi ali, tão perto? Daquela foto desgastada.

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Se fora

Me sinto mal, por todos os momentos dos quais te evito, aqui e acolá. Eu não te leio mais. Eu nem mesmo sei quando deveria estar fazendo algo… menos do meu trabalho. Tem sido demais. Muitos amigos foram jantar fora. Eu permaneci. Calada, fronte a tua porta, querendo te ver. Querendo te ter. E tu comeu mundos. Mandou. Mudou. E fui. E nem mais sei o que resta desse espaço virtualístico. Uma esperança?

Atrasado

Ele estava tomado por aquele olhar de rato molhado, na chuva, no escuro. Ele estava corrompido pelas mentiras, pelos brilhos de suas linhas refinadas. Ele era uma pessoa esquisita corrompida pelo olhar terceiro. De um canto, sua voz rouca sumia no ar. Ele, nervoso, ficava suspenso nesse ar. Escondia seu rosto. E foi assim que descobri sua fraqueza. Ele era a falha primeira. E de falhas se sustentava, para perfeição seguir seu cortejo, ele se mutilava. E quando as calças compridas caiam de sua estatura, ele as vestia. E o sentido ficava atordoado, era ele e seus dentes brancos, sua voz rouca, alto e minúsculo, mas alto, ele corria e vestia outras roupas, mas nada nada servia. Ele, usando o buné de terceiros, roubado pelo lado esquerdo pela mão de um agressor, deixado no chão de um acidente envolvendo uma arma. O caos das palavras, estava a me perder, e penso, hoje. Na minha cabeça, não há nada que me leve a voltar um único segundo.

O vencedor Mor

Eu te odeio, - sua dramática. Pois te amo, - seu falsiano. E te odeio, - mentiroso. Te amando, - vai ficando. Quando dá mudança, - eu viro caos. Eu pasmo, - nem me surpreendo. Reviro olhos, - adoro tuas expressões. E te soco a cara, - seu panaca! Na mente, - me dá um beijo. Tu mente, - é necessário. Que é até logo, - ou nunca mais. E nunca mais, - não saberemos amanhã. Vira uma esquina, - e o petróleo queima. E ao vencedor, - o melhor troféu. De rimas, - toca mais uma canção. No meio do teu olho, - vejo tudo ao contrário. Olho, - tu fecha os olhos ao cantar. E não tem mais, - acabou minha playlist. Linhas, - tu sorriu? E não tem mais, - comeu tudo. Perdas, - foram precisas. Só resta temores, - tu me arrepia. Um só, - mais um só. Temo, - será mesmo um só? Que o vencedor, - em uma briga de egos, são feridos nós dois. Dois ganhadores de coisa mais linda, chamado a... Mor.