O acaso, destes que não eram muito corriqueiros, pois nenhum acaso o acaba sendo, ele chega quando tu não está olhando, e todos olhos e todos te encaram e por um momento tu paralisa o pensamento: este acaso, e este mesmo acaso que ontem foi um momento único, é isso mesmo que eu quero? Pois eu sinceramente ainda não sei se é de fato isso que eu quero. E nem a Vera e nem a Loca conseguiria me distrair para entender como é a vida. Tudo que eu escrevi ontem foi uma bobeira, dessas que nos deslumbram por imaginar demais. Me disseram, tu imagina demais. Me disseram, tu é impulsiva. Me disseram, tu gosta de controlar, e me disseram, que está tudo bem. Minto. Nunca me disseram que está tudo bem, essa é a conversa interna que faço para aliviar o fracasso de relações. Das minhas relações comigo mesma. E caso tu desapega, tu não se aproxima, caso tu se apega, tu cai do precipício. Qual deles... um, dois três. Um... dois... três. E gira. Uma música no pé do ouvido. Um e dois... e três. Gira. E ah, eu apenas desci ao inferno. Não tem graça, não fala isso. Tenho certeza, tu tem certeza, ou quase plena certeza que eu mostro apenas uma parte ínfima do quanto eu gosto de ti. E amo quando te ignoro. Pois é o momento que mais foco em mim. E eu me amo tanto. E hoje teus olhos azuis não me encaram mais. Olhos. Quantas colorações já vi ali, tão perto? Daquela foto desgastada.
Me sinto mal, por todos os momentos dos quais te evito, aqui e acolá. Eu não te leio mais. Eu nem mesmo sei quando deveria estar fazendo algo… menos do meu trabalho. Tem sido demais. Muitos amigos foram jantar fora. Eu permaneci. Calada, fronte a tua porta, querendo te ver. Querendo te ter. E tu comeu mundos. Mandou. Mudou. E fui. E nem mais sei o que resta desse espaço virtualístico. Uma esperança?
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