A cidade corre na tua voz e, com rapidez, os estalos de uma chuva sobre o telhado e a fumaça de teus lábios encostam minha face. Languidez me apossa. Sobreponho meus ritmos sobre a tela. Uma ou outra volta no disco e a ranhura estala como fogo. Me sento com a xícara na mão e o barulho incessante lá fora me adentra o peito. Alguém tentou forçar a porta. Ontem eu acordei no mundo de determinação. Hoje eu acordei achando que já conquistei tudo. Amanhã poderei morrer. E a voz me conta tudo isso pelo sofrimento harmônico. E eu não entendo a língua, mas é mulher e é triste. O peito não nega, um amor que, talvez, foi abandonado. Tu só viveu isso, disse ele. Não confirmo, pois é mentira, mais abandonei que fui abandonada. E talvez em algum nível inconsciente esteja correto. Mas a solidão me faz forte, penso. Minha companhia me basta. E hoje, anos luz longe de qualquer certeza, eu sei que minha flutuação é constante e inquestionável. Eu me decreto parte das nuvens, como o ar que carrega o vento e como o assovio que causa o arrepio na pele. E não, não é mau agouro. É minha estranheza do que é dado.
Me sinto mal, por todos os momentos dos quais te evito, aqui e acolá. Eu não te leio mais. Eu nem mesmo sei quando deveria estar fazendo algo… menos do meu trabalho. Tem sido demais. Muitos amigos foram jantar fora. Eu permaneci. Calada, fronte a tua porta, querendo te ver. Querendo te ter. E tu comeu mundos. Mandou. Mudou. E fui. E nem mais sei o que resta desse espaço virtualístico. Uma esperança?
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