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Estranho garoto, só ouça

A cidade corre na tua voz e, com rapidez, os estalos de uma chuva sobre o telhado e a fumaça de teus lábios encostam minha face. Languidez me apossa. Sobreponho meus ritmos sobre a tela. Uma ou outra volta no disco e a ranhura estala como fogo. Me sento com a xícara na mão e o barulho incessante lá fora me adentra o peito. Alguém tentou forçar a porta. Ontem eu acordei no mundo de determinação. Hoje eu acordei achando que já conquistei tudo. Amanhã poderei morrer. E a voz me conta tudo isso pelo sofrimento harmônico. E eu não entendo a língua, mas é mulher e é triste. O peito não nega, um amor que, talvez, foi abandonado. Tu só viveu isso, disse ele. Não confirmo, pois é mentira, mais abandonei que fui abandonada. E talvez em algum nível inconsciente esteja correto. Mas a solidão me faz forte, penso. Minha companhia me basta. E hoje, anos luz longe de qualquer certeza, eu sei que minha flutuação é constante e inquestionável. Eu me decreto parte das nuvens, como o ar que carrega o vento e como o assovio que causa o arrepio na pele. E não, não é mau agouro. É minha estranheza do que é dado.

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Se fora

Me sinto mal, por todos os momentos dos quais te evito, aqui e acolá. Eu não te leio mais. Eu nem mesmo sei quando deveria estar fazendo algo… menos do meu trabalho. Tem sido demais. Muitos amigos foram jantar fora. Eu permaneci. Calada, fronte a tua porta, querendo te ver. Querendo te ter. E tu comeu mundos. Mandou. Mudou. E fui. E nem mais sei o que resta desse espaço virtualístico. Uma esperança?

Atrasado

Ele estava tomado por aquele olhar de rato molhado, na chuva, no escuro. Ele estava corrompido pelas mentiras, pelos brilhos de suas linhas refinadas. Ele era uma pessoa esquisita corrompida pelo olhar terceiro. De um canto, sua voz rouca sumia no ar. Ele, nervoso, ficava suspenso nesse ar. Escondia seu rosto. E foi assim que descobri sua fraqueza. Ele era a falha primeira. E de falhas se sustentava, para perfeição seguir seu cortejo, ele se mutilava. E quando as calças compridas caiam de sua estatura, ele as vestia. E o sentido ficava atordoado, era ele e seus dentes brancos, sua voz rouca, alto e minúsculo, mas alto, ele corria e vestia outras roupas, mas nada nada servia. Ele, usando o buné de terceiros, roubado pelo lado esquerdo pela mão de um agressor, deixado no chão de um acidente envolvendo uma arma. O caos das palavras, estava a me perder, e penso, hoje. Na minha cabeça, não há nada que me leve a voltar um único segundo.

O vencedor Mor

Eu te odeio, - sua dramática. Pois te amo, - seu falsiano. E te odeio, - mentiroso. Te amando, - vai ficando. Quando dá mudança, - eu viro caos. Eu pasmo, - nem me surpreendo. Reviro olhos, - adoro tuas expressões. E te soco a cara, - seu panaca! Na mente, - me dá um beijo. Tu mente, - é necessário. Que é até logo, - ou nunca mais. E nunca mais, - não saberemos amanhã. Vira uma esquina, - e o petróleo queima. E ao vencedor, - o melhor troféu. De rimas, - toca mais uma canção. No meio do teu olho, - vejo tudo ao contrário. Olho, - tu fecha os olhos ao cantar. E não tem mais, - acabou minha playlist. Linhas, - tu sorriu? E não tem mais, - comeu tudo. Perdas, - foram precisas. Só resta temores, - tu me arrepia. Um só, - mais um só. Temo, - será mesmo um só? Que o vencedor, - em uma briga de egos, são feridos nós dois. Dois ganhadores de coisa mais linda, chamado a... Mor.