Rodopiei. Girei. Voei entre ares. E cantei. Cantei em uma voz suave e delicada. E logo abri as asas e fui. Os galhos, secos, rodeavam onde eu mais visitava. Uma janela esbranquiçada que foi pintada recentemente. Eu me encaixo entre os galhos, pulo, rodopio novamente. Se eu pudesse, rolaria, mas não fui feita para rolar. Apenas pular suavemente entre os galhos. Eu me alegro quando ela abre a janela. A observo, de canto de olhos e, penso, ela é tão feliz sempre... o que aconteceu hoje? E canto novamente, para chamar a sua atenção, mas devagarinho, para não a assustar. E ela para no meio da janela, coloca suas pernas sobre o parapeito, e estende a mão para eu poder a bicar. Seu corpo e meu bico remontam a cena de Michelangelo, dois mundos por uma curta distância...
Me sinto mal, por todos os momentos dos quais te evito, aqui e acolá. Eu não te leio mais. Eu nem mesmo sei quando deveria estar fazendo algo… menos do meu trabalho. Tem sido demais. Muitos amigos foram jantar fora. Eu permaneci. Calada, fronte a tua porta, querendo te ver. Querendo te ter. E tu comeu mundos. Mandou. Mudou. E fui. E nem mais sei o que resta desse espaço virtualístico. Uma esperança?
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