Pular para o conteúdo principal

A dança da ponte verde

Eu bloqueio aquele ser: olhos vermelhos na noite estrelada. Colocou um passo parecido ao meu, para sentir-me mais dele. Mas o levo até a ponte. A ponte telada, verde, por sobre o rio lamacento que corre abaixo dos meus pés. E eu o vejo se aproximar. Lua crescente, sua respiração, nervosa, não presta atenção na água que corre, rápida, ensurdecedora, por sobre pedras soltas. Ele me observa, eu sei por observá-lo de canto de olho, como uma presa que sabe que há perigo, mas finge imobilidade e estranheza, alheia ao seu redor. E me sinto presa menos tempo hoje, mas ainda mantenho o papel, pois acho graça.  E ele suavemente encosta seus dedos compridos nos meu cabelos, esvoaçantes, no mesmo momento que me viro para o outro lado e mantenho distância. Muito rápido, eu sorrio para mim mesma. Previsão. Eu já sei me esgueirar. É difícil me forçar. E eu gosto dessa dança.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Esteira

Hoje acordei de manhã cedo, mas era meio-dia. Foram mais ou menos 18 horas de voo e ainda permaneço nesse espaço de ostentação e transporte. Me transporto para outros rumos, novos sabores, e ainda fico olhando embasbacada a janela do avião. Onde fui me meter? Pergunto como, sem querer saber a resposta, não sei mesmo... Não sei se foi um desejo de manter-me viva ou de provar a mim mesma que sou capaz de realizar os sonhos, por mim, ninguém mais. Acredito que seja isso. E fico feliz enquanto os pacotinhos que tanto corria atrás, agora os mantenho separados, etiquetados e bem longe para não repetir certas doses. Pacotes de embalagens conhecidas nem sempre são as melhores.

Romântica

Eu sou romântica  Com meu amor Esperando no quarto em fronte com taças e castiçais  Não sou aquela romântica Quando eu vejo atravessar ao longe na rua segurando mãos com sua alma gêmea e eu vejo por distância  você caminhando para longe dela E desaparecendo Nos meus sonhos

Não somos amigos

 Eu não consigo ser tua amiga. Eu juro, tentei. Eu prefiro ser nada. Aliada a mim. E eu gosto das lembranças. E eu gosto daqueles momentos, tão tranquilos. E tu engoliu a voz. Buscou paz. E eu, observo aqui, contente por ti. Tu merece toda paz do amor tranquilo. E eu? Eu aqui, imagino, se poderia ter sido.