Eu bloqueio aquele ser: olhos vermelhos na noite estrelada. Colocou um passo parecido ao meu, para sentir-me mais dele. Mas o levo até a ponte. A ponte telada, verde, por sobre o rio lamacento que corre abaixo dos meus pés. E eu o vejo se aproximar. Lua crescente, sua respiração, nervosa, não presta atenção na água que corre, rápida, ensurdecedora, por sobre pedras soltas. Ele me observa, eu sei por observá-lo de canto de olho, como uma presa que sabe que há perigo, mas finge imobilidade e estranheza, alheia ao seu redor. E me sinto presa menos tempo hoje, mas ainda mantenho o papel, pois acho graça. E ele suavemente encosta seus dedos compridos nos meu cabelos, esvoaçantes, no mesmo momento que me viro para o outro lado e mantenho distância. Muito rápido, eu sorrio para mim mesma. Previsão. Eu já sei me esgueirar. É difícil me forçar. E eu gosto dessa dança.
Me sinto mal, por todos os momentos dos quais te evito, aqui e acolá. Eu não te leio mais. Eu nem mesmo sei quando deveria estar fazendo algo… menos do meu trabalho. Tem sido demais. Muitos amigos foram jantar fora. Eu permaneci. Calada, fronte a tua porta, querendo te ver. Querendo te ter. E tu comeu mundos. Mandou. Mudou. E fui. E nem mais sei o que resta desse espaço virtualístico. Uma esperança?
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