O meu quarto tem duas tintas diferentes. A do quadro que compõe a tela que pintei de um mar inventado e a tinta de parede. Azul e cinza. Na noite, escuto pequenos movimentos de ondas ao longe. No meu quarto tem três portas. A de entrada e duas de correr do armário. Dizem que números ímpares compõem uma rima perfeita. Dizem que se eu gostar de figo tudo fica bem. Dizem que se tu te esforçar tu vence. E dizem que se tu conquistar, ainda não ganhou o suficiente. Vim para praia de carona. O pneu não cantou. O vazio do banco ao lado era pesado, me fez lembrar tombos demais. Acho que nem o vazio do espaço é tão pesado dentro de mim. Aí, me lembro: escolhas demais. O vinho é amadeirado, e leve. Acho que sempre gostei de tons rústicos com notas de violino. E cordas que agridem a alma. Acho que não suportaria gritos, mas os silêncios são piores quando penso em ti. E por hoje, termino esse texto, pensando, que amanhã é outro novo e belo dia, para sorrir pro vento, que quem sabe, tu sentirá também...
Me sinto mal, por todos os momentos dos quais te evito, aqui e acolá. Eu não te leio mais. Eu nem mesmo sei quando deveria estar fazendo algo… menos do meu trabalho. Tem sido demais. Muitos amigos foram jantar fora. Eu permaneci. Calada, fronte a tua porta, querendo te ver. Querendo te ter. E tu comeu mundos. Mandou. Mudou. E fui. E nem mais sei o que resta desse espaço virtualístico. Uma esperança?
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